quinta-feira, 12 de agosto de 2010

nós na garganta

o nós fica entalado na garganta, o peito já não dói de esperança, só de certeza. o amor que era doce teve fim amargo: devia estar podre - ou vai ver é só a minha língua. já não interessavam os motivos e nem se houve ou não amor, tudo o que interessava é que já não havia mais querer e nem querido, nem amor e nem amado. um ano e meio ficou pra trás, a amargura não. nem as dores, nem as alterações de apetite, nem a falta de desejos e nem a falta de interesse generalizada: não há viagra pra impotência emocional.

"às vezes acontecem coisas com as pessoas que amamos e queríamos que as coisas fossem diferentes. é por isso que eu falo todas essas coisas agora." ele disse, por medo de perder. uma parte de mim havia morrido na última guerra, a outra voltara aos pedaços. eu perdi, todos perderam. a paz agora era mera formalidade para que os pecados fossem perdoados. não havia culpas ou culpados, réus ou juízes, bom ou mau. não havia nada a ser feito. coisas irreversíveis.

Algumas coisas na vida tinham de ser engolidas e só. eu engolia pouco a pouco, pra que o fel fosse menos amargo: pura ingenuidade. eu engoli, só não contei com a ânsia de vômito pós-deglutição. se eu pudesse,  seria mais, faria mais, sentiria menos. mas já não me canso de dizer que não há nada a ser feito. os amores morrem e um pedaço da gente também.

e não há nada a se fazer. especialmente quando você sente que nem os abraços são mais abraçados da mesma forma. se é indesejado e ponto. as mãos estão atadas e nem os abraços são mais os mesmos. e eu perco mais tempo, sabendo que não há nada a fazer, que não há amor a retribuir, que volto ao sul e à condição de sempre: eu e eu mesma, sem nada a preservar.

quis ligar centenas de vezes. quis dizer centenas, milhares de vezes. me contive em todas menos uma. era tudo perda de tempo, era tudo em vão: o presente me trouxe um não amor, uma angustia e mais uma impotência. eu poderia insistir em amar. resolvi que eu não faria nada.

não há nada a ser feito.

Um comentário:

  1. quando não há nada pra se fazer, nada é o melhor que podemos fazer...

    e difícil.

    beijocas jujuba.

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