terça-feira, 3 de agosto de 2010

faz sentido

quando o sol se põe e eu corro cegamente pelas calçadas da cidade, tudo reformado. acabo me encontrando na porta do teu prédio, a alguns quilômetros da minha casa. o som toca nos meus ouvidos, dizendo que somos mais que um amor portenho: "y yo que pensava que no me importava, que una caricia podia borar el color de mi ciudad". sei que sou sempre bem-vinda nos teus olhos, mas sei melhor que ninguem que as portas da tua casa estarão fechadas até mesmo pra voce, que aí reside. escrevi-te uma mensagem assim que voltei da rua, você sorriria, eu sabia do teu destino melhor que ninguém, eu estava com a tua sorte nas minhas mãos amarradas pelo teu pessimismo. "tua amargura me encanta", voce diria. eu entenderia que era porque voce gostava muito de café, voce diria que era porque gostava muito de mim. enquanto caminhava de volta pra minha casa encontrei um ramo de flores no chão, as famosas primaveras de brasília. recolhi-as com carinho, minha mãe sempre me disse que por onde quer que eu andasse, sempre haveria muitas flores no meu caminho. percebi que meus cabelos agora tinham cor de primavera - o mundo havia dado uma volta em torno do sol e eu tinha quase certeza que era setembro outra vez. não consegui ver o futuro, mas eu sabia que era tão brilhante que os despreparados poderiam ficar cegos.

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