quinta-feira, 5 de agosto de 2010

evolução

não devo ser mais poliglota ou falar de política, não devo mais ter longos cabelos brilhantes. não devo negar meu pai e nem maldizer minha mãe, não devo mais ouvir mpb. não preciso mais amarrar o telefone ao corpo, nem ser menos do que realmente sou. e nem mais. não preciso falar japonês ou comer sushi, não preciso escrever uma dúzia de frases sem sentido. não preciso sorrir amarelo, não preciso quebrar minhas próprias regras, não preciso correr riscos desnecessários. não preciso de intercâmbio, não preciso de dois diplomas de graduação. não preciso fazer viagens ou fingir amizade com gente que não conheço. não preciso mais do toque desconhecido, não preciso mais ouvir que eu devia fazer arte. não preciso mais dividir minha insônia e nem multiplicar meus prozacs. não preciso mais ver filmes cult, não preciso mais usar sapatilhas. não preciso mais dançar. não preciso mais consolar. não preciso lidar com caras feias e fechadas. não preciso mais chorar, não devo mais me depreciar. não preciso mais fingir que não me importo - porque eu realmente já não dou mais a mínima pra nada disso.

que vocês que me quiseram assim fiquem de quatro: eu já ando sobre duas pernas.

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