segunda-feira, 12 de julho de 2010

tudo ou nada

me acostumei a viver de incerteza, entre palavras, traços, desenhos, pinturas, esculpindo teu rosto em todo lugar por anos a fio. me encontrei entre a cruz e a espada, entre as cores que iam do vermelho ao preto e branco, das cores que faziam o cinza. sei como é ser uma mulher desinteressante como ninguém, sei como desistir antes de tentar como ninguém, sei como me contentar com meias palavras: por falta de rumo me deixo levar até mesmo por horóscopos. meu corpo agora é humano e só, sem o remédio e o veneno correndo no meu sangue. Sei bem como o tudo e o nada nunca serão suficientes pra satisfazer minhas vontades exigentes demais, aprendendo a viver um dia após o outro, coisa sofrível pra quem não carrega relógios no pulso. aprendendo a viver no frio, coisa sofrível pra qualquer pisciano que sabe que o gelo se derrete no primeiro raio de sol.

vejo uma mudança genuína nos teus olhos, que são só o meu reflexo. as roupas floridas denunciam minha nova obsessão por coisas vãs, mais uma que esconde o quão mórbida eu sou e eu continuo pintando os cabelos numa tentativa ridícula de entrar em combustão. hoje eu danço conforme a música e a companhia, já não alimento mais as bestas da raiva, penso um pouco mais antes de falar - ou não. ainda mudo de idéia conforme os ventos sopram - ou não. os porres de meio-fio, daytrips pra cidades próximas, rituais inteiros; deixo tudo pra ti, sem motivo algum e com todos os motivos do mundo, por saber que estamos ficando velhos e chatos como planejávamos ficar. o contrato foi cumprido, nossos olhos estão secos e cinco anos fazem de nós duas pessoas que eu gostaria de dizer que são melhores do que fomos ontem, mas que não posso dar certeza de nada. o futuro a Deus pertence, eu disse, e você me respondeu com o sorriso mais irônico que voce era ateu. Sabemos que estamos indo a lugar nenhum. Ninguém sabe quem são as pessoas... E as pessoas dificilmente saberao quem somos nós, os dois poetas mais miseráveis da nossa geração perdida.

Esperei pelo meu lirismo suave e doce, tive que lidar com a sordidez e desespero das minhas palavras. Eu nunca seria nada além disso, nem que eu quisesse muito - só se eu pretendesse viver em mentiras. "she's so... shiny hair, style column, Vera Wang. And I... I am the sex column right next to the ads for pennis implants". Ainda assim eu sabia que eu podia ser tudo o que eu já procurei naquelas páginas.

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