terça-feira, 27 de julho de 2010

flores

algo mudara profundamente em brasília. o rapaz cruzou seu caminho, pegou-lhe nas mãos, sorriu amarelo como nunca fizera. ela seguiu adiante. do outro lado do prédio de 1 km de extensão, como se não houvesse ninguém mais ao redor, recolheu uma flor para si mesma por saber que ninguém a presentearia com uma assim, sem aviso, ao natural. uma senhora cruzou seu caminho perguntando se toda a indumentária era teatro: não, era psicologia. mais um sorriso amarelo - parece que o mundo inteiro sabe que ela escolheu o curso errado... o homem sentava no mesmo lugar de sempre, ela tinha cores diferentes no cabelo. ainda assim, sorriu enquanto a via de longe e ela fingia que não sabia quem ele era - nem todas as coisas mudavam tão profundamente em brasília.
ela olhou o céu outra vez, como se fosse mais um setembro daqueles implacáveis, em que tudo muda. ele voltara pra sua vida outra vez, nada que uma tarde vazia não fizesse pelos dois. refizeram um dos caminhos que a marcara tanto, dos tempos em que irreconhecivelmente ela era doce e fazia carinhos em um alguém. inevitavelmente deram de cara com a drogaria: "nosso inconsciente nos carrega pra qualquer lugar de cura, não é?" ela sorriu enquanto caminhou por mais algumas quadras, sem perceber que tinha deixado o passado pra trás, sem poder ser quem ela foi ao seu lado.
"quem te deu essa flor? vai, não esconde, eu sei que tem alguém especial por trás disso" ele disse. "eu mesma? e antes que pergunte porque... porque ninguém vai me dar uma e entao eu mesma me dei." ela respondeu. "hm...". e seguiram por quadras e quadras até a flor ir de encontro ao chão. ele a recolheu e perguntou se ela queria que alguém lhe desse a flor. "porque não?" ela pensaria.

algo mudara profundamente em brasília. e não eram seus olhos.

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