segunda-feira, 14 de junho de 2010

dynamite et moi

naquela noite minhas unhas eram cinza chumbo e meus dedos pesavam mais de uma tonelada; um calafrio brincou de hide-n-seek no meu corpo, correndo dos braços para procurar abrigo na nuca, chegando por fim nos meus ouvidos que se levantavam em denúncia. the cold weather makes me sick: lovesick, homesick, buenos-aires-sick. eu já não sei se é o frio ou se o tremor da minha mandíbula tem algum outro significado subliminar. eu já não sei se são os 20 que me consomem ou se eu que consomo os anos, insaciável como sempre - eu trago tudo em mim: o verão, a região dos lagos, os churrascos, as pizzas, os rodízios, as viagens, as estradas, a família, os amigos, os livros, as palavras, o álcool, teu cheiro de cigarro barato, teu cabelo intocável, tua barba recém-nascida, uma vida toda pela frente, os doces, tua mão quentinha, tuas roupas cinzas, teus versos, minhas divagações e devaneios, a amargura do whisky sem gelo, uma prepotencia inerente aos 20 anos de idade, aquela vã, mas necessária.

eu não sou nada além de poesia, embriaguez e amargura - um whisky que ainda tem que curtir muito até poder ser consumido...

Um comentário:

  1. anti-epitáfio de um quase-amor



    O fim é tanto. Quase esqueço

    que bem mais é um recomeço.

    Então, que o fim do que fomos

    -esse avesso-

    seja inteiro, não em tomos

    e nos dê acesso

    ao que não sou nem és,

    mas somos.

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