terça-feira, 1 de junho de 2010

cartas na árvore

por entre as árvores, encontrei palavras impressas e deixadas ao vento. Alguém diria que foi o maior ato de covardia, eu diria que foi a legítima coragem de se abandonar a qualquer mão amiga. A carta destinada a ninguém e a todo o mundo pintava o presente em tons de cinza, no lado em branco de uma folha já usada:

não evitarei que meu pescoço se vire procurando o passado, e nem negarei a nostalgia ao meu peito brilhante, recheado de pó de estrelas e coração. Não negarei aos meus pulsos os rabiscos que desenham seu rosto miserável, o amor, teus beijos: um brinde à distância. Não negarei a tristeza e nem as estradas, nem as forças e nem as risadas. Não negarei teu convite sem braços abertos para um abraço apertado, não negarei a oportunidade de me perder outra vez, não nego a oportunidade de perder outra vez. Mas eu gostaria que apesar de tudo você ficasse: quero que você seja minha recompensa. 

era o início de mais uma tarde maçante com gente chata na universidade: algum coração - ou pelo menos o que restou dele - ainda batia em algum canto daqueles concretos que queriam ser arte.  sorri feito boba, sorri como se eu fosse eu outra vez...

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