sábado, 15 de maio de 2010

Melancolicos Anonimos

shhhhhhhhhhhhhhhhh... toc toc toc rrrrrrrrrrrrrsh

"Antes a vida era na rua, as madrugadas eram a melodia que me colocavam pra dançar, o zunido dos carros na avenida eram minha canção de ninar e o edredon me encobria nos dias de verão. os sabores explodiam no céu da boca, os olhos se enchiam de cores e o coração apertava - me dá mais um? Eu viveria de doce em doce, de mesa em mesa, de banho em banho mas nunca de cama. E então veio ele, inédito e preciso nos últimos dias que precediam o verão; o milagre prometido na terra do tédio, o achados e perdidos da perda de temperamento e de controle. Veio ele, barato e insensível ao fim da tarde, a boca seca, a promessa de dias melhores e mudanças de que eu necessitava para sobreviver mais um tempo, veio pedindo exclusividade, dedicação. eu entorpeci. Veio então o recesso e a recessão, e mais uma dose agora pela manhã. 5 meses passaram, eu já não podia escrever ou dormir. Desenhar era tarefa impossível, a coordenação falhava e a memória se escondia ao chamar o próximo acorde no violão: tanto fá... ele já tinha me colocado no lugar que me prometera em sua bula, eu já pesava 15 kg a menos e já não contrabandeava brigas e discussões nas esquinas que eram só minhas. eu já tinha escolhido não falar, nao dizer, nao tocar, nao sentir. Ele me deu o que eu sempre quis e que agora eu sei que nunca precisei. Meu nome é Fernanda, tenho 20 anos, alguns talentos e muita sensibilidade e não sei o que vou fazer quando o médico cortar meu cloridrato de fluoxetina, minha cura e minha doença."

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