quarta-feira, 12 de maio de 2010

"esperou que não passasse da meia-noite, onde seu sono desbanca mundo afora e só volta no meio da madrugada, bêbado e trôpego, incerto, indecente. alguém lhe disse que o céu lhe cabia nos olhos, e que ela sempre seria água ao invés de alcool para o bem de seus remédios e suas curas, que ia mudar de rota e de rotina mas que no fim das contas retornaria sempre ao mesmo lugar - o ciclo completo. a primavera e o verão se encontraram finalmente, ela tentou abraçar o céu outra vez, lhe escapou como o vento. no outro cômodo da casa as mesmas teclinhas que batiam no seu quarto, lá tintilavam, provavelmente codificando alguma mensagem realmente importante. ela esperou que não passasse da meia-noite: ela nunca conseguiria ser a menor distancia entre dois pontos. ela hesitou com o lápis na mão entre um rabisco e uma letra. escolheu o rabisco, pousou o lápis na esquina da boca para que lhe segurasse um sorriso. deitou-se na cama onde o edredon lhe confortou em mais um embarque para sonhos que lhe confundiam, o silêncio pairou mórbido e irredutível, na avenida mais próxima um carro ou outro passava rápido. as putas já batiam outra coisa que nao o ponto. o porteiro já cochilava. e ela jazia na cama:

aqui jaz um pacote de jujubas de todas as cores - na escala de cinzas.

sem graça, desinteressante. mas muito rara. ainda assim ela soube que não escreveria outra vez.'

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