segunda-feira, 17 de maio de 2010

diálogos de um só

antes de tudo eu te conto do medo da solidão, dos calafrios e das justificativas, das lágrimas secas, do exaurimento emocional em que me encontro. não é questão de coração mas sim de sensatez, não é questão de amor, é questão do que eu nem sei nomear. nas pontas dos meus dedos as soluções emergenciais: os comprimidos, as palavras e os números de telefone. antes de tudo te conto que eu não aprendi a ficar sozinha, que quando eu sou peça única eu me sinto mais deslocada que fantasia de carnaval em guarda-roupa de executivo. antes de tudo te conto não do medo do futuro, mas do medo do agora e da sozinhice de ser eu, de escrever no vácuo do meu lar na certeza de que você aí, você mesmo que eu talvez nem conheça, me acompanha em cada tip tip tip do teclado. você me chamaria de hipócrita, não é verdade? que eu que cantei a melancolia e pintei a solidão de tomar uma dose rápida no balcão do bar, eu que estampei o soar curioso do violão pela noite mais silenciosa do alto da minha sacada na verdade não passo de poesia parnasiana sobre a arte da solidão só pra entreter você, que creio eu, no alto não só de minha sacada mas também no de minha sabedoria, ficará lisonjeado de saber que alguém no mundo se importa com teu tédio e permanecerá aqui, acompanhando meus tips e tacs e me poupando da verdade da sozinhice, aplaudindo minhas hipocrisias de aclamar a solidão da qual eu sempre me esquivei, me escondendo no fundo dos copos, dos corpos e onde mais eu coubesse na hora do aperto.

antes, deixa eu te contar das minhas esquivas: qualquer mentira é segurança precária, já diria Marcelo Tavares. E eu tenho sido uma péssima guarda-costas pra mim mesma.

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