sábado, 31 de janeiro de 2009

ler ou não ler - entender é a questão...

'(...) i'm really a cat, you see
and it's not my last life at all

so don't bother, i won't die of deception
i promise you'll never see me cry
don't feel sorry
and don't bother, i'll be fine
but she's waiting...
don't bother, be unkind.' Don't Bother, Shakira.

mesmo sabendo que ela não estava realmente ressentida, ela quis a dor do ressentimento e a angustia só pra saber que estava viva outra vez. pelo menos naquela madrugada. as coisas não desmoronariam e ela sabia, mas se houvesse rachaduras ela sabia melhor ainda que o perdão era uma plantinha que crescia nesses lugares escuros e úmidos...



sobre um cara bonzinho demais.

cabelo.

'nossa, seu cabelo tá tão... diferente.' ele olhou tentando decifrar o que ela tinha feito dessa vez com o cabelo que já provara quase tudo.


'ah, ok...' ela não sabia se era um elogio ou uma crítica. e nem ele.


'voce fica aí fazendo essas coisas no cabelo pra parecer mauzona. eu sei, mas voce nao me engana.' ele retrucou.


'hm, meu cabelo sempre me denuncia, né?' ela quis saber.


'sim. era rosa quando voce estava feliz, loiro quando voce estava tranquila, curto quando voce perdeu um pedaço de si, laranja quando voce sabia que as coisas iam acontecer, vermelho quando voce estava em chamas. e agora azul.' ele fez um trocadilho.


'é roxo.' ela olhou um fio que estava caído sobre seu ombro.


'deve ser porque voce se sente sufocada...'


"mas eu sei...

que o amor é uma coisa boa." (Belchior, Como nossos pais)

ela falou bem baixinho mas com uma convicção avassaladora, como sempre fazia quando não tinha muita certeza do que estava falando:

'eu acredito que o amor passe pela vida de todas as pessoas como um bloco de carnaval. em algumas vidas ele passa acenando pra todos, em outra, é como caminhão de lixo. em algumas vidas ele passa despercebido, em outros, até parece que passa pulando pelado e brincando com todo mundo...' ela riu sacudindo a cabeça pros dois lados, rindo da imaginação. 'na minha, ele deve ter passado correndo, com medo de ser assaltado. acho que minha vida é uma dessas ruelas escuras e sórdidas onde ficam as prostitutas mais baratas...'


'não que isso seja ruim. ainda há a beleza cafetinada.'

315 norte.

a little help from my friends


de novo a resposta me acordou no meio da noite. e pela manhã não lembrei de nada. era isso que acontecia todas as noites, como tomar uma anestesia e acordar sem saber se foi operado ou não - ainda havia dor, mas seria a mesma? voltei a dormir e dessa vez quem me acordou foi a dor. mal eram 9 da manhã, e eu tinha ido dormir às 3... ou 4, já desisti do relógio. me contorci na cama por alguns instantes na esperança de espantar a dor com essa minha dança esquisita sem sucesso.
'hnf,' bufei antes de levantar. 'mããããããããããããããããããããããe, eu quero um remédio!' e eu lembrei que antigamente a dor não era mais suportável, mas pelo menos mais tolerável. eu estava me tornando uma pessoa fraca, dessas que toma analgésicos a cada hematoma e eu não me condenava. levantei com dificuldade, minha mãe não me deu um consolo e nem um remédio - tudo bem, vamos aceitar as diferenças - e eu tomei meu comprimido.
cancelei meus compromissos de negócios, eles não eram minha doença - eu constatei com o vazio que eles deixaram - e me deitei de novo. percebi que eu não hesitava mais em pedir ajuda - nem que fosse pra um bom e velho buscopan composto. e isso me fez feliz pelo menos aquela manhã.
sobre alguém que encontrou a solução em um comprimidinho branco.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

longe,


ela olhou os grandes olhos castanhos dele ali, sem piscar um momento. percebeu que ele olhava para algum lugar onde ela nunca poderia ir ou estar, e pela primeira vez ela foi grande de verdade. ela pensou em tudo que ela aprendera, em tudo que ela vira, em tudo que ela sabia de cor e salteado, era a sua vida ali o tempo todo, e mais nada...
'ei, voce me faz tão bem' ela falou silenciosamente pra si. e sentiu paz de espírito. e de olhar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

dá um abraço?



ela andou algumas quadras, tomou um chocolate quente, comeu bombons enquanto admirava a chuva. e quando passou a chuva andou mais algumas quadras, sentou-se entre árvores e viu crianças saltitantes brincando nos parquinhos. sentiu saudade de saltitar também, rindo e comendo chicletes.


'ei menininho, voce nem deve saber falar, né? mas voce deve saber melhor que eu... o que eu faço pra melhorar?' ela olhou pro menino que mal sabia andar e cambeleava ao seu lado admirado com seu cabelo, provavelmente.


o menininho ficou olhando para ela como se ela fosse de outro mundo, e ela era mesmo. esticou-lhe os bracinhos e sacudiu-os. ela sorriu para ele e acariciou-lhe os cabelos loiros. 'dá, dá'


ela ficou pensando na resposta do menininho. já estava a km dali quando a babá explicou-lhe que o menino queria lhe dar um abraço. 'aaaaahn...' e ela abraçou-o de forma displicente, mas percebeu que o menino tinha dado uma ótima resposta.


e ela foi embora pensando que precisava de milhões de abraços, ou pelo menos de um daqueles bem duradouros, ela quis atravessar a vida em abraço(s). mas ficou com vergonha de abrir os braços e pedir.


sobre a sabedoria infantil, muito mais perspicaz que toda minha inteligencia!

doce, doce, doce

'ei, vi.' ela olhou pro velho amigo, tão amargurado. tinha 2 anos a mais que ela que pareciam muito mais. 'o que voce tem?'

'a vida é amarga.' ele olhou ao longe com seus olhos de poeta.

'não é não, vi!' ela sorriu, tinha 14 anos.

'a vida é doce.' e ela sorriu tanto que seus olhos quase sumiram na sua face se maquiagem.

'então eu sou diabético...' ele respondeu esperando que ela soubesse. ela não sabia.
sobre alguém que precisava de adoçante pra viver. ou entao se intoxicaria...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009


eu provei o café que eu nunca tomo
amargo, amargo!
acho que eu preciso de um pão de açucar inteirinho...
ou de um saco de jujubas, ...

classificados




'vazia de companhia e cheia de desatento
vazia de nós seguindo um dia tão cinzento
meu bem, não sou eu, com certeza é a noite
ontem uma de tuas categóricas frases me tocou
'logo você, que sempre fugiu do amor'
nas incontáveis insônias diurnas e de vida
ah meu amigo, ontem acordei meio piegas
eu, que sempre meti a cabeça pelas pernas
dessa vez nem tenho mais pé nem cabeça'

'voce está bem?' na verdade ele queria certamente saber se ela estava melhor, por assim dizer. talvez menos mal, já seria um alívio.

'ah, sim... tirando a insônia, mas essa é brother já. e a mania bizarra que brotou do nada esses dias.' ela respondeu, já estava normal pelo visto.

'é, insônia brother.' ele resmungou entre os dentes. 'e a vida?'

'ah, eu ia falar disso. eu não sei, eu tô com tanto medo. voce já me viu com medo? eu nem sei o que vai acontecer! agora eu sei como os velhinhos impotentes se sentem!'

'é, logo voce que sempre fugiu do amor. uma estudante cética de psicologia.'

e entao eu pausei ao cair na cadência dessa frase. voce-que-sempre-fugiu-do-amor. como o diabo da cruz, como o bandido da polícia, como o louco do hospício. cética. meu Deus. aquilo me despertou. ei, eu não sou assim - eu pensei. mas eu era. ou pelo menos estava.

'fugir do amor?'

'é, mas algo me diz que voce vai tropeçar logo logo e ele vai cair em cima de voce com tudo.'

e isso me despertou um medo infernal. 'tudo bem, se estiver na minha agenda.'
'neurotica. voce nao era assim, eu sei. e nem deve ser. mas voce sempre deu uma boa atriz. e... ei! voce nao tem agenda!'

e aquilo me adormeceu. e me despertou mais perturbada do que nunca: se o mundo fosse uma corrida de cavalos, minha vida estava competindo e eu nem estava lá pra ver. todos apostando nela e eu dormindo embaixo de algum viaduto sujo, acreditando que estava falida. acreditando que é bom demais pra ser verdade, que logo o cavalo vai quebrar a perna e é melhor não estar lá pra ver. (...) e por isso eu ia perder toda a diversão? ah, mas não ia mesmo!
.estou chocada, até estou em primeira pessoa


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

uma eterna espera por uma hora que nunca chega. o relógio vai fazendo tic tac, tic tac, tic tac, tic tic tic - exatamente como a professora dissera em uma de suas aulas de psicologia da personalidade. as idéias inundam a cabeça - 'aaaaaah, eu vou me afogar', ela pensava ao longe. boas idéias, não-tão-boas idéias, péssimas idéias. tudo a dis-trai nesse momento. 'ah, e eu me sinto tão francesa. ei eu quero ir pra Paris! não... macchu picchu. olha, teclas pretas e letras brancas, legal...'





trim. trim. trim.

alô? não, tá tudo bem. e você? os livros vão me salvar, pelo menos essa noite.

por alguem que está vivendo tudo 'pelo menos uma noite' e assim não vive de fato nenhuma delas.

o crime é ao mesmo tempo a sentença


ela olhou o céu lá fora, azul e límpido. fim de tarde, horário de verão. que dia seria aquele? na verdade nem importava, ela andara seguindo o mesmo ritual dia após dia: o fone de ouvido apertando-lhe as idéias entre as orelhas, o chão morno do quarto e a vista do 2º andar. agora a casa estava vazia de tudo, de pessoas, de ideais, de valores. até mesmo os pais haviam desistido de enfiar-lhe alguma fé naquela cabeça cética, nem sombra da garotinha meiga que encantava a todos com a sua precocidade.

seu velho companheiro ainda ali, perdido em algum lugar do quarto - nos últimos dias havia vivido uma relação de amor e ódio intensa com aquele objeto mágico chamado telefone, ele sempre denunciava sua posição, e arremessara-o contra uma parede qualquer do quarto. isso não a deixou mais tranquila, pra falar a verdade.

pela primeira vez ela pensou de verdade no que seria o futuro, o desapego, sair de casa. pela primeira vez ela não quis seguir em frente. revirou sua bolsa a procura de uma saída secreta e encontrou as 3 peças que lhe entregariam a liberdade. 'hm... tão imprudente, so reckless' ela examinou mais o pacotinho, calculou se seria o suficiente. já não fazia sentido calcular, todo dia ela se matava um pouquinho e ela ja nem se escandalizava mais.

ela jogou a bolsa e os papéis para um canto do quarto, olhou de novo para o lado de fora do vidro. não conseguiu pensar em um motivo sequer pra ficar, nem um genuíno. suspirou tão fundo que mesmo os beatles em seu fone de ouvido devem ter ouvido. 'é, é chegada a hora.' e seu olhar atingiu o caderno vermelho semiaberto no chão, como um tiro certeiro. e ela ouviu vozes.

'você está condenada à liberdade, mas há uma condição: você viverá essas minhas 96 folhas antes de assinar sua sentença. e só.'

era só o que faltava, um caderno falante. mas ela refletiu sobre aquilo, 96 folhas não era demais. talvez 5 dias. talvez menos se a insônia fosse generosa. talvez mais se o telefone tocasse pelo menos 2 vezes. talvez infinitos. um caderno falante, ela pensou. devia ser sua alucinação mais consciente das ultimas semanas.

fazendo a diferença.

'talvez as pessoas todas estejam certas e a gente errado.' ele disse.

'hm... ou tavez a gente esteja certo e todo mundo errado!' ela retrucou.

'é...'

'ou talvez esteja todo mundo errado!!!' ela completou.

sobre o mundo errado e estranho em que vivemos.

ei, voce. cuidado ao me ler.

"interprete minhas palavras como quiser, apenas não entenda mal meus sentimentos. eu estou em todas as suas entrelinhas."


'ei, a gente ainda tem uma vida toda pela frente!' ele exclamou pela primeira vez em sua presença. era tão real, eles estavam de fato amarrados à vida tanto quanto à morte e contemplavam um caminho que parecia nunca ter fim, apesar de ser cheio de esquinas e horizontes coloridos e preto e brancos.


ela sentiu o peso de cada palavra envelhecer-lhe uns 3 anos (cada). sentiu uma vontade incorrigível e velha de desistir de tudo. ela ainda tinha uma vida inteira pela frente. ela suspirou.

'eu sei... eu sei.'


'e então?' ele estendeu a mão para ela.


'eu tenho uma vida pela frente. e é por isso que eu temo.' eles tinham trocado de papel.


sobre o futuro, mais obscuro que sempre.


ela fitou o telefone, estava ainda e de novo deitada no chão de seu quarto. pensou em escrever alguma coisa, mas a idéia fugiu-lhe como estava fazendo há dias. olhou mais o telefone, sem pensar nada. era mágico, trazia vozes de conforto bem ao pé de seu ouvido.
e o telefone tocou. e isso a fez feliz por uma noite. sempre tão fácil de agradar!


domingo, 25 de janeiro de 2009

' quando estou triste ele vem até a mim
com milhares de sorriso que ele me oferece de graça
'tá tudo bem' ele diz, tá tudo bem
pegue qualquer coisa que voce quiser de mim
qualquer coisa...' (Little Wing, Jimi Hendrix)



ela nem questionou aquela visão que se abria a sua frente: a cidade era sua. cheia de manias, de quadradinhos milimetricamente planejados, cheia de horizontes. a cidade era sua, planejada, mas nunca livre dos imponderáveis da vida.

embora ela fosse seca, formal e burocrática, ah, ela amava aquela cidade...

que venha o futuro, e já.

tudo é beira.


'digo que desde aquele dia as coisas me estranharam, meu querido amigo. a noite tem sido mais traiçoeira que nunca, ela agora deve me odiar por eu tê-la trocada uma noita ou outra por um papo qualquer, por um silêncio qualquer, desses contrangedores mesmo. ela me relegou à cama vazia, nem insônia nem sono. deve haver algo de mórbido, algo de macabro em uma garota estranha como eu deitada sozinha em uma cama como a minha, tão confortável. deve haver algo de natural, não?
Ah, eu suspiro entediada, impaciente. que venha o dia, ele sempre vem, não é? e isso não me conforta, porque é um falso dia, é um daqueles dias cinzas que só tem uma nuance em todas as suas 12 horas. me tornei uma pessoa exigente demais até para com a luz do dia, pra não dizer chata. E eu saio à varanda de 30 em 30 minutos para constatar que o chão lá embaixo nunca foi tão convidativo. Meu amigo, meu grande pequeno amigo, meu irmãozinho, faz semana que estou à beira de tudo, de um ataque de nervos, à beira de um abismo, à beira de um parapeito. e eu nunca tive tanta vontade de pular de cabeça em algo como tenho agora.
É irônico. eu pensei que te salvaria e veja como estamos, eu tenho alguns litros de álcool, alguns comprimidos amargos, uma insônia caprichosa e um celular que não cessa de não tocar. Eu creio que é meu insumo de criação, e eu nao posso negar nada disso: não posso negar as idéias negativas, o impulso de auto-destruição, a agonia infinita de 3 minutos. eu não posso - e nem quero negar nada. eu preciso da melancolia como preciso do ar.
e eu tenho uma sensação estranha - além dessa necessidade absurda de te colocar sempre depois de um pronome possessivo, meu amigo - aquela sensação de quem está vendo a luz no fim do túnel sem saber se é o fim ou só o começo do caminho.
e eu digo que desde aquele dia, meu irmão, as coisas me estranharam. e eu não estranhei nada.'
cartas e mais cartas da madrugada...

copyright.



'ei, eu tenho aqui tudo o que te faz feliz!' ele mostrou a mão cheia de coisas. 'vejamos... o marquês (de sade), oscar (wilde) e a viagem (de julio verne).' ele parecia um velho conhecido de cada autor, e talvez fosse mesmo. 'ah, e doces!' ele apontou pras jujubas, mas devia ser a única coisa que ela viu ali. 'e isso aqui...' ele mostrou a cartelinha.


ela ficou feliz por uns instantes, sabia que precisava se perder pra se encontrar, pois, oras , não seria possível se perder mais do que já estava (talvez fosse, mas ela queria experimentar).


ela o abraçou, ainda andaria algumas quadras escuras por aí com seus melhores sapatos, aqueles mesmos, a sapatilha acetinada de oncinha - que pecado! 'obrigada' ela falou ainda no abraço. 'voce é meu melhor amigo, eu te amo... litros!'


ele riu do jeito como ela o amava, pois se fossem tantos litros como as lágrimas dela, ele morreria afogado. 'haha eu te amo litros tambem. te amo horrores!'


eles desfizeram o abraço e ela o olhou sem que ele percebesse. e sem que ele percebesse também ela se sentiu orgulhosa: ele era o irmão mais novo que ela escolhera.


enquanto se afastava ela disse bem baixinho 'voce cresceu tanto, mas sempre vai ser meu pequeno grande amigo. sempre.'
sobre alguem que agora é irmã do meio

noiva em fuga

alguém falou de dedos, de mãos. ela sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha - podia ser uma brisa noturna, o álcool que já fazia efeito, a agonia que lhe ocupava, o assuntou ou tudo aquilo junto.


ela estendeu as mãos para si mesma e contemplou os dedos, 10 dedos. ela olhou para o mindinho esquerdo, onde deveria haver seu 11º dedo, herança de seu pai. não tinha.


'olha, o dedo anelar...' foi tudo que ela conseguiu identificar em meio as falas e o barulho que vinha da rua. isso despertou nela o velho desejo, o velho medo que a fazia encolher o dedo anelar.


'esse é o dedo anelar.' e ela o escondeu. 'credo, não queria ter dedos anelares, assim eu não casaria NUNCA!' ela enfatizou o nunca. 'nas duas mãos. todos devíamos ter 4 dedos em cada mão. é...' e ela esboçava um sorriso estranho, um daqueles sorrisos de bêbado que descobriu algo bem óbvio.


'porque voce tem tanto medo de casamento?' ele perguntou. provavelmente se não houvesse ninguem no recinto, ainda assim apareceria a pergunta.


ela hesitou. não sabia, estava alimentando aquilo há alguns anos, talvez porque soubesse que por mais que tentasse, não conseguiria levar relacionamento a lugar algum e assim sempre pensasse em evitá-los a qualquer custo. talvez estivesse evitando sempre a dor do futuro. ela odiava ser vidente.


'é uma mania, velha mania.' ela respondeu depois de um pequeno tempo de reflexão. e ainda pensou 'não importa que eu não tivesse dedos anelares, ninguém iria querer colocar aliança alguma nele...'


'hm...'


'ainda bem que são nos dedos que se colocam os anéis, porque se fossem colares que selassem compromissos, eu imploraria todo dia pra perder a cabeça...'


sobre alguém que deve ser a MULA sem cabeça

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

sing with me, single ladies.


engraçado, eu me acostumei com a tristeza. não, não a tristeza. com a melancolia. sabe, ela é a única amante que ama realmente todos os homens com quem está ao mesmo tempo, sem medidas, sem restrições, sem inibição. ela nunca me largou sem aviso. eu queria ser uma tristeza dessas bem grandes, dessas bem fatais, dessas que é lembrada no leito de morte. eu queria ser uma melancolia. eu entao eu cantaria pros meus amados o caminho, daria um alento de precaução, seria uma desculpa. uma das boas. daquelas que justifica um trabalho mal feito, daquelas que é digna de perdão, daquelas que dá pena.


ah, eu queria ser uma tristeza. e entao em inglês eu seria um blues.

age of aquarius.

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius

Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation

Aquarius!
Aquarius!


hoje a cidade acordou assim, chuvendo em mim. plic, plic, plic. 7 da manhã, na verdade ele disse que eram 07:01 e eu nem pedi pra ele me acordar essa hora. ele estava ali do meu lado, na minha cama. tão pequeno. tinha sido minha companhia constante na cama nos ultimos dias, companheiro das minhas infindáveis insônias nada-literárias, so sick. meu celular-despertador era meu único amigo naquelas noites em que eu ficava contemplando o teto do meu quarto.

mas estranhamente eu acordei assim, ensolarada. não sei porque, talvez porque o sorvete esteja mais barato, porque eu tenha um sutiã vermelho, porque as flores de plásticos são prenúncio de boa sorte, haja goteiras em apartamentos e tudo o que eu tenho é uma toalha na minha cabeça e um cabelo que - se fosse curto, ah se fosse curto - ensaia um black power. E porque George Bush me procura loucamente pelas quadras da cidade e às 14:36 o sol está tão alto e a chuva tão forte que parece ser 20:30. e minha mãe nem me ligou ainda. E da torneira saem chamas ao invés de águas. e ele me troca pela vovó quituteira e que sabe fritar torresmos - ah, eu também sei fritar torresmos, me poupe. Noites em que até meus sonhos estão ao avesso.

Hoje mesmo eu levantei e decidi que ia fazer entao tudo ao contrário: me escrever em primeira pessoa, me permitir um delírio, trocar o turno de trabalho, tomar café da manhã, me sentir feliz sem motivo nenhum, correr pela casa cantando que é a era de aquário. acho que acordei aquariana - meu ascendente, diga-se de passagem. eu hoje acordei ao avesso, acho que chegou a hora da era de aquário. e estou tão nonsense. mas é a primeira vez que eu entendo algo em mim. ao avesso.

talvez só assim eu consiga entrar nos eixos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

gira, gira, gira.


'eu gosto de girassóis.' ela disse.

'voce conhece a história deles?'

ela balançou a cabeça em negativa.

'os girassóis sempre procuram o sol e à noite eles permanecem cabisbaixos. sabe porque? porque eles são apaixonados pelo sol. o sol, grande e quente reinava no alto do céu, nunca parecendo notar a presença do girassol. o girassol vivia triste, nao se conformava que nunca conseguisse alcançar o sol - ele queria mais que tudo tocar o sol. eles pareciam feitos um pro outro, ambos eram amarelos, redondos e bonitos. até o dia em que o girassol descobriu que se tocasse o sol, morreria queimado. mas descobriu que se fugisse do sol, tambem morreria. entao decidiu que ficaria ali, sempre esperando o sol.'

'memso sabendo que nunca ia alcançar?' ela perguntou incrédula, que burros eram os girassóis.

'mesmo sabendo.'

'ui. isso que eu chamo de obsessão. mas... o que será que teria acontecido se o girassol e o sol tivessem ficado juntos???' ela estava curiosa, que história mais boba ela pensou.

'não sei. acho que não teriam durado 3 dias juntos. vaidosos demais, os dois.'

'voce sempre foi um pessimo contador de historias...' ela concluiu.

'e voce sempre foi um sol que finge muito bem ser um girassol.'


sobre alguem que já morou numa mansão e tudo o que quer agora é só uma casinha no campo (rodeada por um jardim enorme de girassóis)

prazer, bridget jones.


'que besteira insistir em me escrever em entrelinhas. é o que todos lêem em mim. na verdade, é só o que lêem em mim. vamos somar um pouco de carrie bradshaw com bridget e teremos eu!' ela concluía com ironia.
'porque voce tá dizendo isso?' a amiga estava desnorteada.
'porque eu sou uma mulher louca. temperamental, sensível demais, que fala demais. que bebe demais, que fala palavrão demais. que fala alto. que é extravagante. eu devo ter problema nesse meu cérebro, deve ter infiltrado agua oxigenada nele. ou tinta. voce já viu sex & the city?' ela arguia contra ela mesma.
'ah, já... semrpe achei voce meio carrie mesmo, só que em vez de coleção de sandálias, voce tem uma coleção de all star. e voce tambem escreve, só que não é pro jornal. e tem um mr. big. e um aidan. e quanto à bridget... voce é engraçada que nem ela!' a amiga adorava os britânicos.
'e gordinha. ¬¬' ela completou o detalhe que a amiga esquecera de pontuar. 'eu ando impaciente comigo mesma. essa é a verdade.'
'hm, pega leve.'
'eu sei, eu nao quero mais machucar ninguem. eu só quero algo simples, facil de se entender. eu nao quero mais ler em entrelinhas, eu sempre acabo confundindo as coisas assim. da próxima vez é melhor eu comprar um livro que fale.'
'não, eu tava falando pra pegar leve com voce mesma.'
'ah, essa é uma longa longa dieta...'
alguem que precisa emagrecer.

nem doeu.

'e meu coração nem bateu mais rápido, como antes.' ele disse inconsolável.

'voce é um louco. hahaha. tão vinicius, tão passional.' ela se ria nele.


'de repente eu pensei o que seria aquilo. quando eu senti seus lábios pela primeira vez, quando eu pude olhar mais fundo nela mesmo que de olhos fechados. eu não senti nada, apenas me agarrei a ela na esperança de acordar uma fúria doida de taquicardias mais doidas ainda. as mãos correndo sem destino, a respiração calma, a umidade aumentando lentamente.' ele, sempre poético.


'eu acho que voce tá amando, vi.' ela completou como se soubesse mutia coisa, ha.


'e quando eu fico ao lado dela, olho aqueles olhos amendoados e bobos perdidos, ela é tão indefesa. tão frágil. acho que ela é menor de idade. mas é uma boa garota. e eu gosto de conversar com ela, mesmo que ela nunca cale a boca.' ele estava perplexo.


'voce gosta de pessoas assim, que falam demais.' ela concluiu, ela tambem falava sem parar.


'e eu fico pensando se depois de tanto bater de coração, de tanto suor frio, de tanta arritmia, se o amor é ter um coração tranquilo, um calor que toma conta do corpo e uma harmonia de compassos que pareciam nunca se harmonizarem. eu acho que isso é o amor.'


'eu acho que agora voce vai se aposentar, né?' ela dava adeus ao amigo poeta.


'se o amor for essa morte, entao que eu descanse em paz pra sempre. finalmente o amor é uma coisa boa, minha querida. finalmente.'


liquidação

'quando voce cruzou a linha que voce nao conseguiu apagar
procurar prazer ao invés de amor não é tão condenável
e quando voce vê sua melhor amiga com outros caras
voce ainda se sente deslocado?

obrigada mas eu peguei aquela carona
e só Deus sabe o quanto eu quis acreditar

(...)

se ignorância é bênção, então me risque da sua lista
eu tô caindo fora.' Luv Lies, Aerosmith.

era perto de meia-noite, a insônia mais traiçoeira que nunca. ela procurava algo que a distraísse, passara as horas vazias tirando cochilos, ouvindo músicas de cabeça pra baixo, fazendo rascunhos que nunca se concluíam. então ela viu ali, na sua frente um deja-vu. Ah, como era traiçoeira a capacidade dela de aprender rápido às vezes.


'voce vai usar ela, não vai? é uma das suas eternas vingancinhas juvenis. um jeito de aliviar sua agonia. voce vai fingir que ama ela, que ela é interessante. vai dizer que ela é bonita e inteligente, que you were meant to be ... eu sei. é tão... voce.' ela estava realmente irritada, ela sabia o que viria e queria que quando viesse, pelo menos estivesse por cima - ficar por baixo seria inevitavel depois disso.

'uh, voce me conhece mesmo. é, é isso o que eu vou fazer e voce nao tem nada a ver com isso. nada. voce nao é minha mãe' e ele vinha de novo com seu complexo de édipo mal-resolvido.

'mas voce me ama igual voce ama sua mãe. e não ouse dizer que é mentira. nem pense nisso. e sabe o que vai acontecer? escuta muito bem, porque daqui há alguns meses voce vai amargar cada palavra dessa como amarga uma xícara de café.' ela jogou uma praga de mãe. ele estava condenado.

'...' ele não ousou desobedecê-la, sabia que só seria pior.

'voce diz que não gosta dela e por isso pode brincar, mas voce vai gostar dela. é isso o que acontece com seres humanos, a convivencia leva ao gostar. voce não é de pedra. e então voce vai se envolver mais do que gostaria e quando vir, ela vai te trocar. e voce vai sofrer mais, porque voce achava que tinha o controle. mas não tinha.' ela elaborava as imagens em um estilo cry baby, de janis joplin. 'e voce vai procurar alguem que sempre gostou de voce só pra aliviar, mas quando ficar bem de novo, vai esquecer a pessoa.'

'tantos detalhes. parece que a senhorita sabe-tudo já passou por isso, não é? se envolveu demais com alguém que ela achava digno de pena. eu não preciso da sua compaixão, obrigada.' ele se sentiu ofendido. até demais.

'olha, só quero que voce saiba que eu não sou uma roupa no seu armario, que dependendo da estação voce tira lá do fundo pra usar. eu nao sou um casaco de brechó, rejeitado e barato, que voce comprou quando ele era só mais um casaco demodê, extravagante e feio que voce só usava dentro de casa pra não passar vergonha. e quando a moda voltou, voce pode tirar lá do fundo do armario e exibir pra todo mundo o casaco dizendo que não é velho e sim vintage. eu não sou isso, não me use.'



'então vai, eu já disse.' ele estava satisfeito. havia conseguido o que queria. embora soubesse que a garota choraria, passaria algumas insônias, transformaria-as em noitadas bêbadas, ela ficaria bem em algum tempo. ou pelo menos ele queria acreditar nisso. 'eu nunca te usei. voce sempre ficou no fundo do meu armário.'

sobre alguém que perdeu um melhor amigo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ainda?

***
o professor estava escrevendo ao quadro, não devia ter mais de 21 anos e já dava aulas de física para estudantes dos seus 16 anos.

a sala estava silenciosa demais. até ele perceber que ao seu lado estourou algo bem suavemente. 'ploc'. ao se virar para os alunos, percebeu que eram bolhas de sabão.
***

'e aí, como voce tá? ainda com medo?' ele perguntou, sabia que o medo a transformava em uma pessoa que ele odiava: insegura, preocupada demais, impulsiva. alguem que nao sabia pra onde ir.
'não, acho que com receio... sei lá, cara. saudades de quando eu podia soltar bolhas de sabão. o mundo era tão mais colorido. saudade de andar sem rumo nas quadras rindo horrores com a lantejoula. saudade de fazer dietas malucas pra perder 7 kg em 7 dias e perder os kg de fato. saudade de deitar na canga na grama do parque com pessoas que eu nem conheço. saudade de ser pirralha mais que agora. saudade de usar roupa de homem sem ninguem encher o saco. saudade de nao precisar me maquiar. saudade do fundão. saudade do meu cabelo comprido. saudade de poder mudar de cor a cada 15 dias. ou pelo menos de acordo com meu humor flutuante daquele tempo.'
'é, bons tempos.'

é sempre assim

era noite. talvez não-tão noite como em tempos anteriores. mas já estava escuro. ela sentia uma incontrolável força brotando em seu peito, ela estava ficando indestrutível de novo - acho que estava ficando maníaca de novo... droga.



'e aí, alguma novidade?' a janela de messenger surpreendeu-a. ela estava divagando sobre algo que ela nem sabia o que era.



'nada que voce queira saber ou já não saiba...' ela concluia que conhecer alguem a tanto tempo limitava e muito o alcance das novidades, nada mais era novidade ou imprevisível vindo de alguem que se conhece a tanto tempo... 'e voce?'



'ah, nada de novo :/ mas descobri que sou manipulador e maquiavélico.' ele comentou furtivamente. 'mas sem mais perguntas.' ele a cortou antes que ela começasse o interrogatório.



'ah, nada que eu já não soubesse. mas não conta pra ninguém.' ela retrucou, parecia mais cibernética que nunca, distante...



'o que voce ta fazendo aí?' ele quis saber, nao era da natureza dela ser sucinta ou poupá-lo dos interrogatórios.



'ah, trabalhando um pouco na imagem da empresa. mas to com bloqueio criativo. e voce?'



'ah, pensando na vida.'



'hm. e o que voce conclue?' ela estava sem paciencia até para ela mesma.



'nada, cara.' como se ela nao soubesse a resposta, ele pensou.



'é sempre assim.'

'ah, eu voltei a fumar.' ele não surpreendeu.

'ah, é sempre assim.' e ela sentiu que estava losing it, mas ainda assim se sentiu indestrutível.

conformidades sociais.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


'de repente eu me vi ali, parada, estagnada. meu Deus, 10 meses se passaram. 10 meses. o que me aconteceu? de repente eu percebi que eu passei tanto tempo olhando para trás pelo meu pequeno espelho para que ninguém notasse que eu não conseguia seguir em frente que me assustei quando vi um rosto de traços leves e olhos pequenos perdidos num espaço. um rosto estranho, pequeno, infantil mas cheio de marcas de cansaço - olheiras, bolsas embaixo dos olhos, sinais de noites mal-dormidas ou nem-dormidas. o rosto era emoldurado por cabelos médios, crespos e pra minha surpresa, vermelhos. manchados com tons que variavam do loiro ao cobre, mas na sua maior parte vermelho. estranho. o rosto parecia tão cansado, parecia de uma pessoa prestes a desabar, prestes a ruir, virar pó. mas ainda assim parecia feliz quando tentava um sorriso. era engraçadinho o rosto. mas era estranho, porque o rosto parecia desviar sempre o olhar do meu, até que eu o encontrasse. era eu. era eu...'
sobre alguém que descobriu que o cabelo mudou de cor de um dia pro outro, memso que tenham se passado 10 meses.

domingo, 18 de janeiro de 2009

medo do escuro.


"já faz tempo eu vi voce na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida.
N a parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais" (Belchior)

'eu preciso falar.' ele cortou toda a conversa da garota empolgada.

'mas... tá.' como sempre ela não parava nunca.

'meu Deus, cala a boca!' ele falou carinhosamente. 'agora EUvou falar.' ele estava sério, mas nao estava grave como às vezes aparentava quando tinha de falar.

'ok.' e ela juntou os braços ao corpo, arregalou os olhos e sua cabeça movimentou-se num ângulo de 5º para a direita, como acontecia quando ela queria prestar atençao.

'sabe quando voce me disse aquelas coisas? e quando eu ignorei suas desculpas?' ele perguntou. ela abriu a boca em menção a responder. 'não responde, são perguntas retóricas.' ele levantou um dedo pronto para fazê-la se calar. 'não foi por orgulho. voce nao disse nada que eu já não soubesse. eu não voltei por voce.'

'?' ela continuo sob o silencio.

'é. de alguma maneira eu achei que fosse empacar sua vida se voltasse. eu sempre tive a impressao de te fazer mal.' ele suspirou, abaixou a cabeça. 'voce sempre teve amigos tão dedicados, todos eles parecem te amar tanto, com tanta devoção e sinceridade - coisa que eu nunca consegui fazer. achei que se voce tivesse eles voce nem se lembraria de mim e resolvi nao voltar. acho que eu sou seu amuleto de falta de sorte.' ele completou.

'o que?' ela agora quebrou o silencio.

'é. das pessoas com quem eu convivo, voce é a que eu tenho mais medo de magoar. eu odeio te ver chorar, porque voce nunca chora na frente de ninguem. odeio te ver fraquejar, voltar atrás. não é seu comportamento natural: voce é cabeça dura, mauzona. ou tenta ser a maior parte do tempo.' ele terminou. ' a gente tem nossos maus tempos, mas eu não quero ficar longe de voce.'

'voce não me magoa. e eu tô com voce porque quero, porque gosto. voce é meu melhor amigo. nunca vá embora, voce é meu raio de sol, e eu odeio o escuro.'

'o que voce vê em mim?' ele realmente queria saber, ele nao via nada.

'eu vejo voce. e só.' ela sorriu levemente e cerrou os olhos. 'mas o que voce vê em mim? eu fui a unica que voce não expulsou. são 4 anos.' ela ficou seria de repente, como se tivesse vestido uma máscara.

'eu vejo o que os outros vêem, e não são poucos. voce devia saber.' ele sempre sério. mas nunca respondendo a garota.









nível 7.

brasília, quase 6 da tarde. o sol se escondia no horizonte plano em algum lugar da cidade, mas eles só viam os prédios iluminados em amarelo e as árvores em tom de sépia. era outono, era abril. ou maio. e eles estavam ali, sem saber o que fazer como sempre.

'voce dá uma de durona mas eu te conheço há anos. isso é uma mascara, não é? voce é só uma menininha boba. nada de senhorita sabe-tudo, senhorita 'passei-em-2-vestibulares', senhorita 'nunca-fiquei-de-recuperação', senhorita 'eu-amo-ler-e-já-li-tudo-isso-que-voce-tá-falando'... voce é só uma menininha!' ele era mau, ele conhecia mais dela do que ela queria mostrar. fato.

'eu sou uma menininha com coração de pedra.' ela olhou pro teto, estava deitada no chão de um prédio desconhecido brincando com as folhas secas que caiam ao seu lado. 'toc toc, de pedra.' e falou enquanto dava batidinhas no peito.

'pedra? só se for de gelo, hahaha.' ele foi sarcástico, mas sempre era. 'sabe, no começo quem quer tocar ele se queima, mas se tiver paciência e calor, hm... logo ele se derrete todinho. mas se não tiver paciencia vai deixar ele cair no chao e ele vai quebrar. pedras de gelo tambem se quebram, sabia?' ele pareceu mais lógico do que o normal. 'tsc tsc, acho que voce vai ter de se mudar pro alaska, senhorita 'eu-sou-durona-e-intocavel'' ele completou.

'voce é um chato.'


sobre meninos e jujubas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ano novo.


sem atravessar nenhuma porta ele foi
deixou uma blusa, deixou solidão
deixou uma insõnia insaciável
mas deixou o número do telefone
junto com um punhado de temores
-ah, e tambem me deixou.
sem atravessar nenhuma porta ele voltou
trouxe um beijo, trouxe um abraço
trouxe uma saudade insaciável
mas deixou de fora a censura
junto com suas táticas de tortura
-ah, e me trouxe de volta à vida.
obrigada por ser voce, porque só assim eu poderia te amar como amo.

rehab.


'descobri uma coisa hoje.' ela percorria as pequenas teclinhas do celular com seus dedinhos insones e incansaveis, fazia dias que ele havia se exilado, mas fazia dias que ele mentia pra si mesmo, continuava lá fora. 'eu te amo. e é pra sempre.' ela suspirou. 'me desculpa interromper seu exilio assim' ela escreveu ácida, sabia que ele andava dando suas escapadas. 'te vejo na outra vida' ela pontuou com a saudação que os dois já conheciam bem demais... significava vamos dar um tempo.
não esperava que ele respondesse, apenas que ele soubesse que embora ela fosse tão relapsa ás vezes, o amor não era algo que precisa ser trazido à tona de meia em meia hora: estaria pra sempre dentro dela.
ela se deitou na cama, aquela rotina incansável de se revirar nos lençóis e escutar músicas que falavam demais. o celular tocou, estremecendo seu corpo. já era um hábito se deitar com o celular ao lado de sua cabeça, esperando algo que nem ela sabia o que era.
'às vezes eu tenho impressão de que te faço MUITO mal, sei lá, como voce me disse uma vez e acredito que ainda pense isso. e sei que ainda me culpa. sorry, viagem mode: on'
ela leu. se deitou olhando para o teto. leu de novo. sentou-se na cama. leu de novo. quantas vezes seriam precisas ela ler para que entendesse? talvez infinitas. sentou-se, leu mais uma vez. e começou a chorar.
'obrigada. voce disse exatamente tudo aquilo que eu nunca consegui dizer. muito obrigada.' e desligou o telefone.
deitou-se como se sua consciencia estivesse limpa pela primeira vez em um ano e meio. estava serena como há muito tempo não ficava.
até perceber que talvez ele não voltasse mais.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

sintomas.


mesmo que voce tivesse todo o dinheiro do mundo
meu bem, voce nao teria nada pra comprar uma noite de sono
e quando voce se contorcesse na sua cama
eu não estaria lá pra te socorrer
até que voce não seja mais um punhal
e que eu não seja mais uma suicida
enquanto isso me chame um padre
pra me livrar dos pecados
me apresentar a Deus
você é minha cura
ou você é o meu mal?
voce sabe que é veneno mas tem que sentir o gostinho.

meu bem, eu tô caindo fora




ela pensou muito sem chegar a conclusão alguma por mais de 10 dias. isso estava matando ela. decidiu que não ia mais pensar, a ordem era pensar em não pensar e foi o que ela fez (era assim que surgiam suas idéias mais geniais - as mais idiotas tambem...)


"olha, toda vez que olho nos seus olhos, tudo que vejo são meus enganos, um atrás do outro. parece que eles estão rindo da minha cara. eu posso não ser a garota mais linda do mundo, posso não estar nos padrões 'menina-graveto' de hoje, posso não ter um cabelo liso e um óculos de menina cult, mas eu nunca fui idiota. eu nunca fui burra. e voce sempre soube disso.


com isso, minha inteligencia se sente ofendida. ofendida pelo amor idiota que eu tenho por voce. eu sei no que isso vai dar, e nós dois sabemos que eu tenho duas escolhas."


ela hesitou. respirou fundo e recolheu a caneta para continuar escrevendo, rezando para que a caneta não a desobedecesse.


"outro dia eu pensei no seu futuro: 21 anos, terminando faculdade, emprego bacana. voce vai conhecer sua namorada na faculdade, acho que numa festa de relações internacionais - bem voce. e ela vai ser magrela, ter cabelinho alisado, usar um mega óculos escuro da moda e vai ser suuuuper in. tradicional, menina bacana de familia. ou de familia bacana. ou os dois. voce vai começar a falar menos comigo conforme for se envolvendo com ela (acho que voce tem uma superstição estranha sobre eu saber dos seus relacionamentos - voce acha que dá falta de sorte...) e então voce vai namorar com ela. vocês vão ser felizes, vão ter carros. e vão se formar e um tmepo deposi, vão se casar. 24 pra 25 anos. ela não vai querer ter 4 filhos, mas vai ter um ou dois porque voce é legal, sabe? é. e então um dia eu vou te encontrar no mercado, fazendo compras com ela e sabe o que eu vou fazer? eu vou mudar de caminho só pra não te encontrar. mas vou ficar feliz porque voce estava sorrindo e seus olhos estavam brilhando.


e sabe como eu vejo meu futuro? 25 anos, solteira, mestrado completo e doutorado a caminho, solteira, com um bom emprego e um salário fenomenal, e solteira. um apê legal, amigos legais, happy hours na noite e ... madrugadas insones e solitárias. estudando enquanto toca um bom jazz ou um blues, aprendendo meu 4º idioma e criando projetos megalomaniacamente bem sucedidos. os gestores dirão que eu sou em gênio, os acadêmicos vão me respeitar apesar da pouca idade, as mulheres da minha idade vão me invejar e falar que sou encalhada pelas minhas costas. e minhas amigas vão ter pena de mim, vão me apresentar homens esquisitos dizendo que ele pode ser o amor da minha vida. patético. tão eu. e um dia eu vou te encontrar no mercado mas vou desviar de caminho, no meu carrinho que antes tinha um pão integral e um queijo branco haverá uma pizza de frango (sem catupiry, com requeijão, né, que engorda médio, gordo mesmo é calabresa... ), um pote de nutella e um pote de sorvete de qualquer sabor, contanto que haja açúcar o suficiente pra não deixar a tristeza me abater. nesse dia eu vou chegar em casa, vou me olhar no espelho e vou concordar com quintana:


Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:

A gente continua morando na velha casa em que nasceu...


isso seria minha opção 1, continuar com você. me responsabilizar pela sua dor.


mas essa seria minha opção 2:


seu futuro? o mesmo. talvez sem a namorada.


o meu? 19 anos, solteira. talvez sim, talvez não. "voce é tão inteligente!", "aposto que ela não tem namorado", "ss só pode ser de sem sexo". fazendo uma dieta talvez, cuidando da pele talvez, com cabelo curto talvez. a vida vai poder ser diferente. nada mais de preocupações estúpidas, dedicação exclusiva a mim, logo, aos meus grandes amigos. com 21 anos formada. com 23, mestre. 28, doutora. emprego legal, apê legal. um dia eu vou te encontrar no mercado, voce vai me ver e pensar "ela tá bonita, tá bem de vida... carrão. o namorado dela é bonito. isso se for o namorado dela, pode ser que seja só um caso." eu vou estar bem, voce tambem.


e eu me pergunto porque eu deveria me sacrificar por voce? sacrificios não são humanos, eu cansei de ser uma heroína, a sua mais especificamente. já reparou que clark kent não é feliz? não pega ninguém, fica só salvando o mundo. e o homem-aranha? e o batman? eu não quero usar uma capa ou uma fantasia coladinha, eu cansei de salvar voce. eu não posso mais.


mas voce... voce me salvou. voce me salvou de mim mesma. e eu te amo por isso. mas eu nao posso ficar."


ela pontuou e colocou o papel dobrado dentro de um velho envelope pardo. colocou o embrulho dentro de sua bolsa e saiu de casa sem pensar. andou suas 2 quadras tão conhecidas, viu o ponto de onibus onde eles se encontravam, viu o bar, viu o supermercado. atravessou a rua sem pensar, quase foi atropelada - nada que a assustasse, ela sempre fazia isso. viu a lavanderia, a padaria, o salão de beleza onde fazia seu cabelo. tudo já tinha mudado, menos ela. andou por baixo do prédio onde uma velha conhecida, amiga de outrora, morava. olhou o coreto no meio da quadra e lembrou das aulas matadas e das tristezas de ensino médio. tudo havia mudado. chegou ao estacionamento do predio dele: até mesmo seu carro havia mudado, nada mais de carro popular. e porque ela nao tinha mudado da vida popular pra uma mais sofisticada? olhou pra janela dele, igual.


sentou-se ao meio fio do estacionamento, tirou a carta do bolso. releu. olhou pra janela dele, ele estava em casa com certeza. "porque ele me pediu socorro? eu sou só uma garota de aparência mediana, intelecto mediano e vida mediana. eu sou só uma pessoa com muita criatividade, só uma garota que nem sabe o que está fazendo da vida. mas eu sou só uma garota." e fez a expressão de preocupação que ela fazia quando tinha milhares de tarefas atrasadas e nao sabia por onde começar. coçou sua cabeça, despenteou os cabelos já desarrumados. levantou-se e ao parar na frente do porteiro, percebeu que estava ali há alguns segundos sem falar nada.


"oi?" o jovem porteiro falou.


"ah...errr... oi!" ela tentou sorrir. "é, eu..." ela pensou em tudo de uma vez. "esquece." e deu as costas para o homem que ficou sem entender nada.


seguiu em frente e na primeira lixeira, depositou cuidadosamente a sua carta. "não importa que a tenham demolido, mas eu não devo satisfações a mais ninguem."


ela estava quites. e aquela foi a primeira de suas infinitas noites sem insônia.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

'e eu pulei do penhasco...

mais alto que eu já conheci. sem saber se haveria um rio lá embaixo - e se houvesse uma avenida movimentada? e se fosse um prédio e não um penhasco? mas eu saltei de roupa de banho e tudo. porque o amor deve ser assim: arriscado, ridículo, idiota e doloroso. independentemente de haver rio ou avenida.' eram os dias mais estranhos da vida dela, não os mais negros, talvez os mais solitários, mas não mais negros que os do ano anterior. ela sabia que o fim estava chegando, ela sabia. mas não queria confiar em sim mesma. ela olhou para as ultimas palavras dele, ali, piscando.
'voce sabe o que eu vou fazer, não sabe?' ele perguntou.
'eu sei. e tenho mais certeza do que em qualquer outra vez.' ela respondeu com uma certeza que não lhe atingia há tempos. 'não que eu não me importe com voce, muito pelo contrário. mas eu não posso passar nossas vidas toda tentando te convencer de algo que voce quer com tanta força que se compara a uma tempestade. depois de lutar tanto contra o vento cortante, eu desisti. eu só quero ser levada pela correnteza.'
'é, se eu quero...' ele arguiu. e isso a irritava profundamente.
'só quero que voce saiba que eu sou responsável por cada angustia sua, por cada ato seu, por cada arranhado inflingido a voce desde a primeira vez qeu eu te vi. só quero que voce saiba que qualquer que seja sua decisão,vai afetar quem eu sou profundamente.' ela falava daquele jeito que fazia com que ela parecesse que soubesse a verdade universal. ele gostava disso às vezes, a garota não parecia ser tão genial quando estava calada...
ele ficou em silencio, sabia que era verdade. mas ela só tinha 18 anos e era tão maternal, ele não tinha pedido nada daquilo. 'voce nunca desiste, não é?'
'não está entre as minhas opções, eu acho.' ela abaixou a cabeça. não queria derramar nenhuma lágrima.
'voce é sempre tão forte. tão adulta. desde que tinha 14 anos.' ele lembrou.
'é... ' ela tentou rir. se ela chorasse ele não veria. 'é brega e eu nunca pensei que diria isso mas eu não consigo imaginar o que seria minha vida se eu tivesse ignorado a sua presença naquele dia.'
'eu tambem nao consigo. eu nao sei aonde estaria. voce salvou a minha vida.' ele hesitou. 'muitas vezes.'
e voce me matou... varias vezes. ela pensou. e passaram um tempo mudando de assunto, até a hora de dizer adeus.
ele a abraçou, não tao forte quanto da vez passada. seria muito mais duro deixá-la agora. pela primeira vez ela nao disse nada.
'a gente se ve em breve.' ele murmurou no ouvido dela. ela sentiu um calafrio.
e assim que ele dobrou a esquina, vieram suas velhas companheiras. ela não era tao forte, era apenas uma garota de vidro.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

'ei, eu não sou um conceito...'


'i'm just a fucked up girl who is looking for my own piece of mind.' Clementine Crucszinsky, Eternal Sunshine of The Spotless Mind.
algumas pessoas pensam que eu vou salvá-las, que eu vou entrar na vida delas e iluminá-las. e eu não posso fazer isso. não posso. (mas às vezes penso que queria - e muito). e é tudo que tem ocupado miinha cabeça nos últimos dias.

sábado, 3 de janeiro de 2009

os 11 mandamentos do amor ♥

quando o amor é em preto e branco e a distância, a cidade é silenciosa e fatal e todos estão em viagem de férias, é muito fácil falar de sempre.

ele nunca entendera o que era aquilo: um buraco negro no peito quando ela ia embora, as mãos tremendo enquanto a esperava, a urgência de fazê-la pensar nele o tempo inteiro, a vontade de que ela não tivesse tantos amigos, como se impressionava todos os dias com as idéias dela. ele nunca entendera. mas tinha necessidades que ele conhecia como ninguem.

naqueles dias, sentia como se já estivesse morto e nada lhe socorria, era mais de 2 da manhã.

'ei garoto, saudades. amor, N.' uma mensagem cheia de substantivos e inesperada, bem a cara dela. às 2:17.

'eu acho que não vou voltar.' ele respondeu, os dedos ainda tremendo.

'oi? do que voce tá falando?' ela sentiu as pupilas dilatarem mais ainda, mesmo que já estivesse no escuro. ela sentia culpa talvez. culpa por questionar o amor por ele, culpa por deixá-lo ir. mas muito mais que culpa, ela sentiu medo. medo de que aquele tivesse sido seu ultimo abraço.

'me ajuda, voce é meu unico motivo agora.'

'olha, não faz nada. volta. pra mim. por mim. que, pelo menos por agora, eu seja seu motivo suficiente. volta.' ela sentiu mais medo. apertou forte o travesseiro e doía. ela concluiu que o amor doía.

'eu sempre vou te amar, sempre. eu te amo tanto, eu te amo.' ele parecia desesperado. até demais. e ela o conhecia como ninguem, ele sabia que ela entenderia.

'volta vivo, foi o que eu quis dizer. deixa eu te abraçar mais uma vez, olhar nos seus olhos. eu nao quero que voce vá. prometa pra mim.' ela não deixou espaço para ele.

'ok, o que voce quiser. obrigada por existir, eu te amo.' ele se sentiu abrigado, acolhido. ela sabia fazer isso como ninguem.

ela descansou na cama, a tensão nas suas costas se desfez. 'sabe, aproveitando a oportunidade... sinto muito por aquele dia no carnaval. eu...' ela não lembrava como dizer aquilo em portugues 'i didn't mean that. desculpa por te magoar.'

era a primeira vez que eles admitiam que ela havia o magoado. 'tá tudo bem, beijos podem significar muitas coisas. eu to ficando com uma menina legal por aqui'

ela sentiu um pouco de vingança talvez. mas o que sentiu mais mesmo foi que ela era uma boba.

'legal :) volta logo. te amo.' ela escreveu um pouco sucinta demais. tão anti-ela.

'só se voce prometer que as coisas vão mudar, que voce nao me deixa mais sozinho. e que voce vai me amar de verdade, como antigamente'

ela hesitou. o que era o amor? até ali ela tinha concluído em seu pequeno dicionario da vida:

1- o amor dói.
2- amar é como alugar uma casa: um abrigo, mas voce sempre pode ser despejado...
3- o amor não é como um pano que se voce tentar cobrir varias coisas ele rasga. muito pelo contrario, quanto mais se ama, maior a qualidade do tecido. e sempre dá pra fazer um remendo. paninho esquisito o amor...
4- amor não é divisível, só mutiplicável (oras, eu amo todos os homens do mundo, i can't help it!)
5- amor não-correspondido ainda é amor. que droga.

6- ah, e não se escolhe quem se ama. p.s.: que droga!
7- não dá pra conceituar o amor.
8- amor não é paixão.
9- amor não é amar.
10- e por ultimo, mas nao mais importante: amar dói! p.s.3: DROGA!

quase quatro da manhã. 'e agora? porque ele sempre tem que fazer as coisas tao mais dificeis? como antigamente? antigamente doía bem mais pra mim e bem menos pra ele. ah, que maravilha. como se eu ainda tivesse 14 anos! cut it out!' ela pensou mais. 'droga.'

'prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saude e na doença. como se eu ainda tivesse 14 anos. mas sinta-se casado.' ela respondeu impaciente, as coisas tinham ficado dificeis agora.

e ao enviar a mensagem, adicionou ainda em seu caderninho:

11- amar é fazer uma mentira se tornar realidade. mesmo que essa seja uma realidade filha da puta que vai te fazer ficar mal umas noites aí, só pra fazer a pessoa que voce AMA feliz. p.s.4: DROOOOOOOOGA.

chuva de verão.


era um dia quente, fazia sol. era duas da tarde quando ela acordou. de pijama ainda ligou o radio bem alto ao ouvir os rolling stones cantando brown sugar e começou a correr dançando pela casa, como sempre fazia quando tinha a sonhada casa vazia.

correu pela casa por horas, até perceber que o dia havia escurecido pela metade. tomou assento na varanda e percebeu que, dividindo o céu ao meio com uma linha exata, havia uma grande nuvem cinza que varria a limpeza do dia de verão. ela esperou um pouco e acompanhou com o olhar a trajetoria da nuvem, que dominava o céu antes claro.

'hm... não dá pra ver mais nada. fora o inverno e o tempo ruim, eu não sei o que espera por mim, sábio matanza...'

e sentiu o vento forte tentnando despi-la. contemplou mais o silencio da cidade em feriado, a chuva que se precipitava. chuva de verão. ela adorava chuvas de verão, eram como um alívio. mas odiava dias nublados e cinzas, eram tão entediantes e previsiveis! as chuvas de verão eram como festas surpresa.

e a primeira gota de chuva caiu bem no seu nariz. pling. 'nossa! eu tô viva.' ela concluiu, mas nao tristemente. mais gotas cairam, começando a encharcá-la. 'eu sobrevivi!!!' e riu.

riu como se tivesse passado por uma longa estiagem. e realmente, tinha.