segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

fluoxetina

"Brasília, 14º dia.

hoje o dia é cinza, daqueles em que o céu é o limite e as nuvens não são macias pra quem tenta ascender. o calor é implacável ainda assim, minha boca está seca e eu não sei mais se é ilusório ou apenas o gosto da cidade, difícil de engolir. os sabores se perdem em questão de segundos, como se todo desejo fosse mero capricho e a auto-destruição apenas um passatempo.
hoje o dia é cinza, a cidade está silenciosa. póstuma, eu diria. não há árvores de natal ou misericórdia, só panetones. os ruidos que ousam se levantar são aplacados misteriosamente. e eu não sei se são meus protetores auriculares de plástico, a visão desfocada, a desrealização ou apenas os efeitos colaterais da maldita fluoxetina: meu porto seguro e minha tempestade."

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