quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

diários de 20 mg


"embora os movimentos sejam constantes algo sempre insite em parar na beira da estrada. sentimentos deixados pra trás adoram pedir caronas. as portas dos armários permanecem fechadas, as malas vazias e as camas arrumadas - mas tudo em movimento, nem que seja inerte.

(...)

eu gosto assim, natural, quente e amargo, forte e difícil de engolir. que se perde no ar quente e espalha seu aroma por todo o prédio. gosto de profundidade. obscuro, mas solúvel. eu gosto assim, quando no seu olhar encontro uma noite inteira, negra, que na verdade é no maximo castanha. e me surpreende porque no fim das contas cabe em qualquer forma. eu acho que o café assim não é pra qualquer um, é preciso lingua afiada e estômago para essas coisas (...) mas ainda assim eu gosto mesmo é quando seus restos me deixam ver meu destino no fundo do poço, no fundo do copo. e se no fim do gole nada me restar, eu sei que meu destino é o mundo inteiro. definitivamente o café assim não é pra qualquer paladar."

Um comentário:

  1. garçom traz um café...sem açucar.
    porque de doce, já chega a vida.

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