sexta-feira, 14 de agosto de 2009

essa é pra voce, baby




hoje não canto as velhas estampas, não canto os cartões postais, não canto o arco-íris: tua pessoa se escreveu e, ironicamente, se inscreveu nas minhas linhas - as de expressão, as de caderno, as imaginárias que designam os limites. ri da minha ingenuidade, do meu lirismo ao qual tu é imune: dezenas de versos ou dúzias de flores não te comprariam a verdade.

(assim eu me sinto onipotente, espalhando minhas palavras pra que cada um crie seu proprio poema, seu proprio significado. mas baby, you always misunderstand me. ou entende bem demais, vai saber?)

mas me veio à tona a memória das tuas derradeiras palavras, da tua sentença. e eu fico na linha tênue, quase invisível, que é te colocar em palavras para que voce mesmo se interprete. sem compromisso. eu permaneço tentando me equilibrar nas cordas do meu violão, suavizar minha rigidez de ser nos meus rabiscos, ser melhor deixando tudo em rascunho. sem sucesso. o meu encanto nisso tudo é que eu não gostei de você de primeira - eu realmente tenho uma fraqueza dos diabos com essa coisa de primeira vez - ou de segunda, foi uma coisa de quinta. ou dos quintos - dos infernos, fique claro.

delimitei-me entao, teu olhar em mim era como um anteparo que só deixava passar um feixe de luz: meu melhor ângulo, meu maior brilho - aquele de fim de primavera. e eu passei como um filme cheio de cores, frases de efeito e meio-sorrisos infantis, insistindo em me escrever no ar e no brilho dos olhos das pessoas, que ironicamente tambem, se desfaz em lágrimas irremediavelmente.

quando é sexta à noite e estou em casa relegada às lembranças de algum tempo louco sem ninguém com quem criar novas cenas dignas de replay no meu cinema particular - o nostalgia, aquele que fica na rua da memória - sempre me encontro assim, metalinguística: as pontas de lápis se desgastaram com o escrever da história, as tintas de caneta evaporaram pela falta de uso, a borracha sumiu. mas o papel continuou marcado. eu acho que gosto de voce.

esse clima blasé de brasília me põe emotiva como os diabos.

2 comentários:

  1. Nossa, que lindo Jujuba! Adorei! Que pessoa fofa! Vivo lendo o seu blog e gosto muito do jeito que você escreve. É meio vanguardista pós-contemporâneo. Curtiu? Hehehe. Saudade. O único bom de voltar as auals é voltar a conviver com você! Bjus. Até

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