terça-feira, 9 de junho de 2009

shine on

'lembra quando você era jovem? voce brilhava como o sol (...) você foi surpreendido pelo fogo cruzado da infância e do estrelato, apanhou da brisa de aço (...) ninguém sabe onde você está: o quão perto ou o quão longe. brilhe, seu diamante louco.' shine on you crazy diamond, pink floyd.

"a fadiga me atingiu outra vez, a náusea, a vida. enquanto todos os mapas se cruzavam, eu tentava não cruzar o meu limite - tão desgastante. ele costumava dizer que eu sempre fui uma grande atriz, que podia fazer qualquer pessoa acreditar em qualquer coisa, que podia vestir qualquer personagem que eu desejasse, que tudo em mim era tão patético que só podia ser verdade. senti meu coração desacelerar, como se a velocidade com que corresse já não fosse devagar demais - e não que isso significasse prudência.

certamente meus delírios tinham nome, minhas tristezas tinham sobrenome, todas elas eram expressões do mesmo rosto. 'você me deu a vida, nada mais justo do que tirá-la de mim' pensei ainda entre um não-sono e outro. lembrei da primeira vez que o vi, lembrei da última. e conclui que eu e o clima seco fizemos um trabalho razoavelmente bom, embora em um tempo relativamente longo. ele ainda carregava os defeitos mais intoleráveis que já conheci em alguém e as qualidades que eu mais poderia amar: (...). uma vez ele me disse que eu era boa demais pra ele. boa demais. sem perceber que ele me fazia assim e que a cada passo mais distante, menos brilhante eu parecia. não estou apagando, é você que está ficando cego. porque o amor devia ser assim, eu disse uma vez a ele, entre meus goles de cerveja misturada com vodka. a gente devia ser assim, eu disse ainda. ele riu da minha cara de quem sabia de tudo junto com meu meio-sorriso quase bêbado.

quero só que tu sejas feliz, guri. falava sempre, sabendo mais sempre ainda que eu não podia nada, minha dose de felicidade era única, pra um só. que eu era homeopática, quase. voce vai ser minha salvação - e a minha ruína. olhei sem dizer uma palavra, por longas horas, aquele rosto que eu tanto amei, sem nada de especial, com olhos de peixe morto, uma boca rasgada, um nariz esquisito, expressões sádicas, cabelos desgrenhados, mal-tratados. as mãos pequenas demais pro tamanho do corpo. os braços longos, fortes.

é assim que a gente deve ser, eu sorri pra ele quando eu já não era mais tão radiante. mas meu amor não cabe em linhas, não cabe em palavras, não cabe em si. e é por isso que explode de tempos em tempos, como o movimento do universo, que se contrai e se expande. então ele disse você não é uma garota bonita, e disso eu nunca esqueço. completou ainda: eu te amo e não posso ir embora. é pra sempre e eu não sei dizer adeus. (mas disso eu sempre esqueço) e talvez seja por isso que ele tenha ido sem se despedir."

bittersweet memories

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