quarta-feira, 24 de junho de 2009

metalinguístico

e então disse que me amava e eu não soube o que dizer.

(não que eu também não te amasse,
ou a teus olhos de futuro ou a tuas palavras de passado.
não que eu também não amasse tua melancolia sazonal
ou tuas lacunas - que me davam gosto de preencher, fato.
não que eu não amasse teus gestos e teus trejeitos,
não que eu não amasse tua sensibilidade
ou teu gosto musical impecável.
não que eu não amasse o modo como eu te amava
não que eu não te amasse
mas eu simplesmente nunca pude exprimir em sons
monótonos e perdíveis
sentimentos tão densos e indizíveis
por culpa dessa minha contradição invernal
de ser a atriz que não chora e nem ri
de jeito-maneira, oras.
não que eu não te ame,
mas quando eu subo no palco
não há corpo que possa ser tão furioso
quanto as palavras na ponta da minha caneta.
não que eu não...)

é muito fácil me desenhar em palavras, mas é difícil me desenhar em mim. sobretudo não gosto do papel que sou. mas eu amo você também.

2 comentários:

  1. olá passando para dizer que gostei do seu blog vou ser sua seguidora !!
    Beijos!

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  2. Que lindo ficou teu texto. Você, como eu, parece ter dificuldade de falar sobre, mas na hora de escrever, tudo fica simples, não é?

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