terça-feira, 2 de junho de 2009

férias


minhas palavras já não me traduziam e nem me alimentavam, minhas canções já não me pertenciam. fico então na mediocridade, entre os desvios padrões. fico com a burocracia, com as obrigações. já não me comovem os filmes de amor, os beijos ardentes, as razões que anteriormente me apeteciam. nada me comove e isso me comove - e só. fica em mim a lembrança do senti tua falta, das tuas risadas silenciosas, do teu amor inexperiente catalisado por alguma substância ilícita. deposito em ti minha última chama, e a ti também dedico a primeira delas: enquanto respirei nisso cresci. mas já não tenho mais pra onde crescer, ocupei todos os espaços. estou a ponto de explodir de tanto ser.


minhas palavras já não são tão geniais, meus amores já não são tão intensos. meus medos são todos ignorados e minhas certezas torpes só aumentam. mais cedo ou mais tarde isso vai te matar, ele disse enquanto construía um abrigo ao meu redor, com a certeza de que eu não ouviria nada. eu estou morrendo mais rápido do que nós dois previmos algum dia. e você diria que eu sempre gostei de surpreender. (suspiro) lembro de quando constatei que era tudo definitivo com a gente, tudo. logo eu, que sempre fui tão volátil... você me deu um universo para vagar e eu me contentei com o espaço do teu abraço. essa não sou eu, mas eu gosto.


(...) eu absolutamente não sou como um poema parnasiano nem como um romance chato de machado de assis. não gosto de machado de assis. você sabe que eu passei de poesia romântica a versos de augusto dos anjos na velocidade em que um vinho mal conservado se torna vinagre. nunca fui uma garota bonita e tentar compensar isso em inteligência é pura tolice(...) e daquela vez você disse que meus gestos eram vazios e que eu já não amava nada além da dor, que meus sorrisos agora eram só reflexos e que meus olhos eram tão vazios quanto poços abandonados. e você sempre me conheceu como mais ninguém nessa vida.


(...) e então quando os dias caírem e as noites se levantarem, quando nenhum sono me socorrer, terei mais e mais certeza de que nunca mais desejarei imprimir outro som no meu violão ou outra palavra em minhas lacunas, que nunca mais desejarei imprimir vida em meus rabiscos amadores. que nunca mais desejarei imprimir amor em papel de artes. já não sou digna de nada disso.


i'm done, i'm gone.

Um comentário:

  1. ah, não diga isso, não!!!

    tudo passa, muda....

    beijos, querida

    MM.

    >>> adoreeeei o novo lay

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