sábado, 13 de junho de 2009

casa


ele a segurou nos primeiros instantes em que começava sua queda livre. certa vez alguém disse que a as quedas livres com pára-quedas duravam em média 30 segundos, e ela sentiu que talvez a sua queda não tivesse pára-quedas nenhum para ser aberto. apesar de tudo, ela tentava crer que não haveria qualquer golpe mais cruel que aquele de perdê-lo em um pôr-de-sol cinzento junto com todas as outras perdas anteriormente anunciadas. 'não só perdi como estou perdida, meu bem' - ela disse, sabendo que vivia de memórias, dos restos de um sentimento que já havia ido há tempos. ela estava condenada a viver na sombra dele porque o sol a queimava demais. ele permitiu que ela se munisse dessa proteção contraditoriamente prejudicial, none of his business. viveu em tantas casas, em tantas ruas que não as suas, em tantas estradas que ele sabia que um descanso de uma vida toda não poderia fazer mal a ela. 'não quero falar de amor hoje, não quero falar de amor nunca mais' - ela sussurrou nos seus ouvidos enquanto via o por-do-sol se anunciando naqueles olhos. velhos olhos. ela era do mundo inteiro por não ter nenhum lugar pra chamar de seu, nenhum desejo pra chamar de seu. nenhuma genuína vontade.

'todo homem necessita de um lar, todo homem necessita de um lugar para voltar. se não, não há para onde ir. não tenho casa, mas pior, já não tenho família. não quero estar condenada a essa eternidade de eu mesma sem conhecer de onde vim. não é minha vida, não sou eu. eu tô voltando pra casa.'

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