domingo, 5 de abril de 2009

losers?

a fumaça inundou a noite outra vez, ela inalou tudo ao seu redor o mais rápido possível - a fumaça, a noite, ele.

'você se importa?' ele perguntou. a fumaça queria ela.

os pulmões sedentos daquele aroma de cigarro que trazia a juventude em retalhos de memoriazinhas quase perdidas, a boca seca, os olhos mais ainda. até que ela estava gostando da estiagem: eles estavam de volta à rua. e ela, que tinha sentido falta até das suas reclamações tragadas junto com os cigarros de fim de noite, falta dos seus silêncios que gritavam mais reclamações, falta de ouvir os pensamentos de alguém que falava pouquinho, também tinha sentido falta dele, falta de uma rotina daquelas que não significava tédio. uma rotina de coisas inesperadas, uma rotina de passeios estranhos, uma rotina de silêncios não-constrangedores.

'nem um pouco.' ela respondeu respirando fundo. 'acho que é assim que se diz eu te amo...'

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