sábado, 18 de abril de 2009

acidentalmente

no carro o vento me fazia um daqueles carinhos de que eu tanto precisava, as coisas esfriaram tão rapidamente no sol que eu tive medo de congelar outra vez. à noite mesmo eu tratei de pedir por uns goles generosos do meu amor tão caloroso, que embora não pudessem ser direto do gargalo, foram com toda a voracidade contida daquele dia em que eu pensei que fosse desmanchar enquanto caminhava pela universidade.

nem o whisky me esquentou e isso me fez pensar que eu devia estar perdida mesmo. perdidamente apaixonada por aquela sensação dos pedacinhos de mim se juntando enquanto ele me abraçava. nunca me solte, não. se juntando pra sempre, porque eu sempre derretia e podia ser mais maleável, quase tão flexível quanto um líquido bem colorido. não havia nem encruzilhada, eram dois caminhos: um pra frente e um pra trás. e eu quis ir pra frente. então conclui que estava acidentalmente apaixonada, e isso me fez dirigir com mais cuidado.


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