domingo, 22 de março de 2009

sobre mim.


sempre que é primavera ela se apaixona por uns olhos brilhantes, por um andar envolvente, por mãos de pianista ou por uma respiração que lhe parece elegante. mas só por uma noite. e se forem sete, é uma de cada vez.mas seus amores são todos os primeiros e últimos, em cada despedida um enterro, uma vida cheia de separações - e então não seria a vida mais feita de morrer que a própria morte? talvez por isso ela goste tanto de dizer adeus, porque é preciso morrer cada dia para viver o próximo. e ela tem um talento induscutivel para criar e interpretar personagens mágicos. não que ela seja dissimulada, mas a vida lhe parece longa demais para que ela seja uma pessoa só - e só.o que a atrai mesmo são as coisas deixadas nas esquinas da vida que ela insiste em tentar colocar nos seus acordes, nas suas linhas, nas suas entrelinhas, nas suas palavras e meias-palavras, sem saber que viver é etéreo demais para ser solidificado no movimento de suas mãos ou de seus olhos de menina. e mais difícil ainda é reescrever nas linhas de um caderno um viver tão torto.ela sempre gostou dos drinks mais fortes, dos sabores mais doces, das noites mais longas, das solidões mais avassaladoras. sempre que chove ela gosta de sair só pra se molhar - não que ela goste mais da chuva.porque cada encontro para ela é uma explosão, rápida demais pra se controlar, brilhante demais para enxergar claramente, quente demais para não se queimar muito. incontrolável. e ela adora isso. porque ela acha que o amor deve ser intenso demais para ser queimado como uma vela.

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