sexta-feira, 13 de março de 2009

sobre mim

a lua cheia de novo, eu vaziinha. na esplanada dos ministérios a arquitetura em preto, branco e gramado me surpreendeu outra vez, percebi que as coisas mais rotineiras sempre me surpreendiam. e logo eu que sempre tinha palavras pra tudo, me encontrei num deserto, náufraga. já não havia conforto naqueles olhares, eu já não passava de uma poetinha muito da cretina com pseudônimo e em terceira pessoa, eu já não passava de quem eu realmente era. monotonamente desregrada. no messages, no missed calls. 'acho que me perdi quando perdi voce' refleti na embalagem espelhada do presente, odiei meu novo cabelo a propósito.

'acho que me perdi quando perdi voce, sabe. eu lembro que eu costumava ser uma pessoa mais radiante, mais lírica. mas nunca fui eu, sempre foi voce, que me via assim. tem um milhão de palavras não-ditas, um milhão de coisas perdidas em gestos, em olhares, em abraços. e mais um milhão de coisas perdidas nas lacunas que existem entre nós agora. e assim eu concluo que me perdi quando perdi voce, como uma criança que está rodando rápido demais em torno de si e é obrigada a parar. e eu entendo que voce não possa simplesmente sair correndo, mas ainda assim quando a tontura passar voce ainda vai fingir que está tonto só pra não me deixar sozinha. e eu te amo mais por isso.' amassei o papelzinho, coloquei-o no fundo da minha bolsa.

a vida era etérea demais pra se colocar em palavras, conclui.

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