segunda-feira, 23 de março de 2009

imigrante


já não gosto mais das manhãs com gosto de café requentado, dos fim de tarde com gosto de separação, das segundas-feira com gosto de recomeço, das terça-feiras com sabor de vazio, dos fins-de-semana com gosto de quero mais (mais sono, mais comer porcaria, mais solidão). já não me agradam mais os dias, os sorrisos todos que tenho de rasgar nos meus lábios enrijecidos, o olhar que se encontra a cada instante, a falta de álcool, a falta da falta. que me importam as 24 horas de escuridão quando metade delas é povoada de gente com quem estou sempre em dívida (devendo brilho, devendo alegria, devendo entusiasmo)? eu que gostava da noite porque ela era uma boa companhia - ela e só ela, por favor - já não gosto nem mais da insônia. nem do meu violão, hoje largado a um canto do quarto, nem dos rabiscos que chamava de desenho, que se afogam na poeira acumulada embaixo da minha cama, nem dos livros, que ficam perdidos entre os papéis velhos que ja li. nem de nada.
e dentro de um corpo que eu já nem reconheço, sou obrigada a viver dentro das linhazinhas que o demarcam como meu. e me sinto miserável por viver no limite e no limite, o tempo todo. e por mais que eu queira atravessar a fronteira, eu nucna consigo chegar do outro lado.

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