domingo, 15 de março de 2009

garotas.


'baby, eu não sou uma garota interessante. não tenho nem 20 anos, não sei dirigir, moro com meus pais e faço trabalho voluntário. sou uma universitária que anda de ônibus e tem que pedir dinheiro e carona pro papai. não conheço essas coisas culturais todas. eu gosto mesmo é da cultura do cotidiano, das pessoas sem glamour, das histórias mal-resolvidas. eu encho a cara na sarjeta e eu vou em sinucas sujas e decadentes durante a semana; vou à igreja nos fins de semana com a família. eu não gosto de ter certeza ou razão, eu gosto de diversão geralmente. de me afundar em alguma coisa, de tomar o veneno só pra passar mal, só pra gostar mais da vida. eu falo palavrões demais, acho que sou vulgar. eu gosto do sol forte, rachando lá o céu. odeio os dias cinzas e previsíveis.

eu já li filósofos, teóricos e nada me preencheu mais que meia dúzia de palavras de poetas amargurados, que as escalas pentatônicas dos blues. nada me satisfez mais que uma tarde qualquer despreocupada conversando sobre música. eu gosto de tristezas mais que de alegrias, pra falar a verdade. e eu toco guitarra, mas toco mal. e escrevo coisas que ninguém entende ao certo. acho que sou sensível demais.

baby, eu não sou uma garota bonita. eu não tenho mais que 1,65 de altura, meu cabelo nunca esteve na moda, tenho traços pequenos demais pro meu rosto na verdade. e adoro as roupas e maquiagens excêntricas dos anos 80. e além disso, não faço questão das roupas novas e bem passadas, eu gosto mesmo é das minhas blusas velhas de bandas que ninguem ouviu falar. aquelas blusas que eu gosto tanto de rasgar e dizer que customizei. e meu bem, eu não vou emagrecer aqueles quilos. definitivamente eu não sou o tipo de garota amável.

mas ainda sou uma garota.'

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