segunda-feira, 23 de março de 2009

ele (2)


havia alguma doçura no modo como ele a olhava pelo canto dos olhos, como se esperasse coisas demais dela, como quem soubesse que ela podia dar tudo pois tinha tudo guardado no fundo dos bolsos, do armário, do coração. ela mudava de opinião como mudava o clima de brasília: imprevisível, traiçoeiro. talvez por isso fosse tão difícil demonstrar amor, ela enjoava fácil demais das coisas que já tinha. os dias indo e vindo entre os dedos dela como um grande ioiô colorido que ela adorava controlar como um brinquedo levado muito a sério, de um jeito cheio de manobras loucas, arriscadas demais para o brinquedo, certamente. embora soubesse que o sempre não pertencia a ele, acabava por vezes demais dando a ela a eternidade na ponta da língua cheia de incertezas, na ponta dos dedos vazios de malícia. ele apenas não entendia como ele podia controlar um caos ambulante como ela com alguns poucos gestos ou com a ausência deles, como podia mudar o curso de uma tempestade apenas com um sopro. ele nunca recusava nada a ela, que tinha urgências fúteis de menina de 8 anos qeu cabiam em bolas de sabão e com gosto de jujubas multicoloridas - mas com preferência pelas laranjas. além de tudo ela falava palavrões demais. e ele odiava isso. nem razoável era amá-la

(mas ele nunca foi muito racional).

Um comentário:

deixa tua marca