segunda-feira, 9 de março de 2009

dez-abafo


'voce ainda tem dinheiro?' o pai perguntou no carro a caminho da faculdade.

'tenho uns 15, dá pra chegar ao fim da semana.' 19 anos, sem carteira de motorista, sem dinheiro pro almoço mas voltando pra casa quase sempre bêbada. e sempre uma boa atriz.

recostei minha cabeça no banco, apreciei a visão até o lugar de destino, o sol fazendo meus cabelos brilharem mais que nunca. eu odiava psicologia, odiava as pessoas cult da psicologia, odiava psicanálise e odiava freud. e tinha brigado até com o velho amigo johnnie walker, bom conselheiro. comecei a odiar brasília. pffffffffffffff, bufei. quis largar tudo e virar arquiteta, ou antropóloga ou desenhista industrial ou escritora ou musicista. menos psicóloga.

olhei pro meu pai outra vez. era só pedir arrego. era só usar as palavras mágicas junto com uma lagrima e meus desejos seriam realizados.

'o que foi?' ele perguntou.

tudo, pai. eu odeio tudo. odeio essa cidade, odeio meu curso, odeio quem eu sou, odeio meu corpo, odeio meu jeito de tocar violão, odeio meu gosto, odeio minha extravagância e minha excentricidade. eu vou pra arquitetura e... lembrei da voz do meu irmão 'voce acha que isso vai te fazer feliz? não vai. o problema não é o que voce faz, mas como voce vê as coisas. voce quer comprar uma ideologia, mas sonhos não enchem barriga de ninguem. não to dizendo que nosso pai não te sustentaria, mas voce quer ser só uma sombra do resto da sua familia? voce quer jogar sua inteligencia fora? voce sempre foi uma garota sensivel e inteligente, é o melhor dos dois mundos. mas algumas pessoas não podem sonhar.'

'o que foi?' a pergunta ecoou. era o chamado de volta pra vida.

'nada. só que eu te amo.' e sorri um sorriso dos mais sem graça antes de deixar o carro e colocar o pé no chão. ia ser um longo caminho e minha mochila estava bem pesada... eu só rpecisava deixar o passado de lado antes de embarcar na nova aventura.

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