sexta-feira, 27 de março de 2009

bares

'Em uma coqueteleira, colocar aproximadamente 4 cubos de gelo, 1 dose de Absolut Citron, 1/5 de dose de Martini Dry e 1/5 dePeach Tree, mais 1/5 de dose de suco de laranja, 1/5 de suco de limão e 1/5 de Grenadine. Bater bem e jogar na taça Martini sem gelo e sem decoração.'


mergulhou naquela tristeza, o fundo parecia não chegar nunca. naquela tarde de março ninguém mais diria que um dia ela nadou naquele copo que hoje estava na mão dele que não segurava o cigarro barato. os olhos vermelhos, os gestos em câmera lenta: bebe do meu copo que eu já bebi da tua boca. e ela se inundou de cerveja embora já transpirasse álcool.

embora não houvesse mais nada dele nos seus armários e nem nos seus discos, havia quase tudo dele em uma grande cicatriz: me disseram que o amor era pra sempre - pelo menos as marcas que ele deixa. no fim da tarde disseram que os homens eram todos iguais, ela concluiu que dos bilhões de homens do mundo elas que sempre insistiam em escolher os parecidos.

entre seus dedos passaram as velhas sensações de formigamento ao tocá-lo. ali, ele na beira do abismo e ela quem estava vulnerável. um toque poderia derrubar tudo que nos rodeia em questão de pouco tempo, mais rápido que uma bomba atômica. a reação em cadeia estava apenas no primeiro elo. e enquanto ele perdia a ligação com o mundo, ela se sentia livre outra vez, se colocando em todas as palavras que ninguém entenderia.

depois de algum tempo, do outro lado da cidade, do outro lado do tempo, os antes olhos castanhos agora pareciam lagos negros, mares mortos que insistiam em transbordar e salgar as maçãs do rosto dela. e não que ela desgostasse do sal, a melancolia lhe caía muito bem. mas ultimamente estava a derrubando.

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