segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

vivendo perigosamente



constatei perigosamente que a cidade estava cinza. as férias escolares haviam acabado e tudo que restava era o silêncio, doce silêncio da cidade de brasília. ele dava um beijinho em sua namorada pela manhã e eu dormia deliciosamente pela segunda noite seguida inabalável. acho que eu estava feliz - ou pelo menos não mais maníaca.


constatei também que meu pai havia levado o Guia de Recolhimento da União para pagar, o que significava que eu estava prestes a arranjar um emprego de 8 horas diárias e o que significava que eu abandonaria a faculdade logo logo. e com isso constatei perigosamente que um grande sorriso se abriu no meu rosto.


constatei pela terceira vez no dia, que nada mais me comovia. meu pai tinha uma enorme cicatriz no peito, meu irmão acabara de ser operado e minha mãe me ligou para dar notícias. e eu nada, inabalável como um monumento de concreto no maior vendaval que a cidade já viu. constatei entao perigosamente que minha família tinha criado um monstrinho que não conhecia. e senti pena deles...


olhei pro céu pela terceira vez naquela manhã. e constatei perigosamente que estava sóbria.


drummond me entenderia. só não sei se apoiaria muito minhas idéias tortas.

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