quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

vagas




ela se sentiu inevitavelmente envolvida naquela dança perigosa, sem poder tirar os olhos de seu objeto de desejo por um instante sequer: ela respirou fundo e sentiu uma vida deliciosamente nova preencher-lhe os pulmões, ela encontrou uma razão para abrir os olhos. uma razão para viver.

estava flertando com sua oportunidade de ser alguem novo, e sentiu medo. medo de perder, medo de não tentar. medo de ter medo. mas tambem sentiu uma doce vontade de lutar, de quebrar a cara de qualquer um que o tirasse dela, de mostrar do que era capaz. antes de tê-lo já nem queria largá-lo. descobriu ali que precisava dele como precisava do ar. e isso não doeu como costumava.

ela percebeu que estava dançando um tango, em que cada passo era perigoso e ao mesmo tempo sensual, que apesar de todo o receio, o ganhava a cada pé não pisado, a cada respiração na hora certa, a cada olhar estratégico, a cada roupa adequada. o seu cabelo bem amarrado, a maquiagem suave, os acessórios discretos: tudo parte do jogo. um jogo que ela estava jogando pra ganhar.

e ela concluiu inevitavelmente que estava pela primeira vez apaixonada por algo tangível. e que era correspondida.
amor à primeira vista, comofas?

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