sábado, 14 de fevereiro de 2009

um brinde


como quase tudo na vida deles, foi uma daquelas conversas noturnas cheias de saudades e frases memoráveis.

'esquece freud, ...' ele disse, decepcionado.

ela riu como não fazia há algum tempo, escorregando na cadeira, se desmanchando em alegria. 'ah, o que sou eu sem voce?? morri de saudade, serio mesmo!' ela falou ainda entre as numerosas e escandalosas gargalhadas.

'e aí, o que andou fazendo?' ele perguntou.

'ah, eu dormi! acredita? é bom demais. de resto trabalhei, saí...' ela deu ênfase nas reticências.

'hm... sabe, eu acho que não é o momento ainda.' ele falou após um período de silêncio. 'talvez depois, mas o momento não era agora, ou melhor, antes.' ele pareceu sério demais, isso a assustou.

ela permaneceu imóvel, nenhum sorriso pendeu em sua face. 'o momento é nunca, meu bem.' e deu um daqueles sorrisos amargos que ele tanto odiava, um sorriso que agonizava. 'mas essa é a vida que eu escolhi e nós sabemos.'

'e nós sabemos.' ele repetiu como se fizesse um brinde ao estilo de vida dela.

mas nenhum dos dois ali sabia de nada, o melhor ainda estava por vir.

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