quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

só agora

'tenho de encontrar um jeito, não posso esperar nem mais um dia
e nada vai mudar se ficarmos aqui
tenho de fazer o que for preciso, está tudo em nossas mãos
todos cometemos erros mas nunca é tarde demais
pra começar de novo
respire fundo e faça uma prece

(..) se a vida ficar muito dura, não importa
voce me tem do seu lado
qualquer hora que voce quiser nos subimos
no primeiro onibus rumo a um lugar melhor
não vamos deixar nada ou ninguem nos desanimar
talvez voce e eu pudessemos fazer as malas e voar.

voce já viu um ceu mais azul que esse?
voce pode ter uma vida melhor agora
abra seus olhos (...)

talvez voce e eu pudessemos fazer nossas malas e dizer adeus.'
Fly Away From Here, Aerosmith

olhei pra ele ali, tão perto de mim. devia ser o homem mais diferente que já amei, de uma beleza que não me cativava, de uns olhos daqueles que sempre se encontram, de uma moderação assim imprevisível. devia ser o homem mais diferente de mim que já amei e isso me assustava, eu não sabia nada.

não percebi que estava o encarando há um bom tempo até ele chamar meu nome bem baixinho, como se não quisesse que ninguém mais ali soubesse meu nome. 'vai ser assim pra sempre?' ele perguntou.

'eu não sei.' tentei formular mais alguma explicação longa e prolixa, mas não consegui. 'cara, eu não sei.'

parei de olhar pra ele, era incômodo até para mim. cruzei as pernas e levei as mãos ao meu queixo para dar apoio a minha cabeça que parecia pesada demais, cheinha de pensamentos de toda natureza:

'eu te odeio.' ainda sem olhar pra ele foi tudo o que eu sempre quis falar. ele não reagiu e eu continuei. 'te odeio, voce deve ser o homem mais cruel que já cruzou o meu caminho. voce só sabe falar a verdade, voce me trata bem quando eu te maltrato, voce segura minha mão quando eu não sei pra onde ir - embora eu esteja sempre indo pra algum lugar. eu te odeio porque voce é bom demais e isso faz com que eu me sinta pior do que já sou. eu te odeio porque eu sei que voce me quer tão bem mesmo sabendo como eu sou.' respirei. 'te odeio.'

ele permaneceu sem reação enquanto eu falava, mas era o habitual. e me abraçou quando eu terminei de falar, encostando o rosto no lado da minha cabeça. ouvi sua respiração calma, constante. 'eu te amo só agora.' e senti algo que era pra ser um beijo cair sobre meus cabelos. e também um sorriso.

esperava que ele se levantasse e fosse embora sem olhar pra trás, era o que eu estava tentando fazer há tempos sem sucesso algum, eu sabia que eu tinha um grande potencial para magoá-lo, sabia que eu era o tipo certo de mulher errada, daquelas que voce só encontra uma vez na vida e acaba sempre escolhendo ela. e não devia ser assim, pelo menos não com ele. eu amava demais aquele homem.

'pelo menos voce só me ama agora. semrpe existe depois.' eu falei, eu não era tão caridosa a ponto de deixá-lo e nem era tão forte pra aguentar a culpa.

'voce nunca percebeu que sempre é agora?' e ele me abraçou mais forte.

sempre seria agora, mesmo o depois seria agora. e eu estava gostando disso.

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