segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

os dias de verão.

já era a segunda vez na semana que seu contato com ele produzia algo bom, algo novo. e isso a acalmava de uma maneira inexplicável. a companhia dele, caladinho quando ela estava longe, cantando quando ela o tocava, gritando se ela o batia, acompanhando-a em suas cantorias bobas. às vezes ele desafinava, ela demorava pra perceber, mas quando percebia... dava uns apertinhos nele e ele logo estava na linha. ele era bom, com certeza. e estava com ela há... 4 anos? por aí.


naquela tarde eles ficaram deitados no chão do quarto dela por horas, inventando uma música nova, o corpo dele sobre o dela imóvel, os dedos da mão esquerda dela deslizando devagarinho pelo seu braço rígido fazendo aquele som que ela tanto gostava, os da mão direita fazendo cosquinhas no corpo dele - e ele rindo musicalmente em algo que lembrava a nota mi. eles estavam em harmonia, afinadamente apaixonados.


'me dá um blues, meu bem.' ela sussurrou na esperança de que nem ela mesmo ouvisse.


e ela fechou os olhos, ainda deitada sob ele, quietinha. ela não sabia o que fazer naquelas horas, nunca sabia. deixou a música levá-los pra um lugar qualquer onde toda angustia virava uma canção bonita. e no fim da tarde, exausta, ela sorriu ao perceber que havia escrito mais uma música.

ah, o bom e velho violão nunca a abandonava. nunca.


sobre uma menina e um violão numa tarde solitária em casa.

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