domingo, 8 de fevereiro de 2009

hi5


ela sentou nas velhas conhecidas escadas. 'as coisas sempre são complicadas.'
'porque voce as faz assim, e a gente sabe bem. voce é complicada e quer que tudo seja também. mas as pessoas são simples como somar 1 e 1. e voce quer física quântica, e a gente sabe que ninguém vai chegar nesse nível.' ele respondeu, já estava ficando cansado dela.
'eu sei. também sei que é facil mudar, deixar as coisas acontecerem mas...' ela hesitou, eles sabiam onde iam chegar.

'é-seu-estilo-de-vida. sei. voce sente tudo demais, voce sente muito por tudo. e eu gosto disso em voce, voce sofre por opção, garota corajosa.' ele olhou pra ela ali, parecia tão forte. mas era boba, frágil. e isso provocava vontade de rir nele. 'eu gosto de voce.' e deu um semiabraço nela.

ela acariciou a mão dele. 'obrigada, eu nunca vou esquecer isso.' ela compilou em sua memória os caras que nunca sairiam da sua lembrança, suas eternas inspirações. concluiu que era neurótica, queria sempre algo que por opção não podia alcançar. e ficou calada.

'lembrou dele? já faz 1 ano, né?' ele sabia que ela lembrara, lera nos olhos dela. 'esquece'
'é.' ela pareceu calada demais.

'voce tá pensando 'eu sempre dou um jeito de estragar tudo', não é?' ele estava falando por ela.

'uhum.' ela continuou calada, o que ela falasse poderia e seria usado contra ela. 'sou a pedra filosofal ao avesso. se eu encostar numa pedra de ouro ela vira merda.'

'não é verdade.' ele respondeu baixinho.

'é sim, fala sério.'

'falo serio, voce transforma qualquer futilidade em algo relevante, voce faz um pôr-do-sol parecer a melhor coisa do universo, voce faz as pessoas se sentirem especiais. voce fez de mim um cara melhor.' ele apontou.

'...' ela balançou a cabeça num sinal de tanto-faz. 'eu tô bem.' e ela abriu um sorriso do jeito que ele gostava, fazendo as maçãs do seu rosto ficarem ainda maiores.

ele a abraçou mais forte. 'eu sei.'

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