domingo, 15 de fevereiro de 2009

epitáfio




vislumbrei meu passado - coisa que tinha feito bastante ultimamente e que francamente achava um pé no saco - e notei de novo a decadência de ser eu, uma garota inteligente e preguiçosa digna de inevja e compaixão ao mesmo tempo. mas eu só tinha 15 anos. e um cabelo muito esquisito.

naquele fim de tarde eu notei o quanto a decadência me atraía - os bares mais sujos, as bebidas mais fortes, as pessoas mais loucas. e tudo acontecia sempre tão rápido, meu encontro com cada um era como uma explosão: de repente, o boom; depois a luz que causa cegueira momentânea; por fim, a avaliação do estrago. e então não havia mais ninguém, a luz da explosão sempre me deixava com a impressão de que apenas uma imagem era real, e era a última que eu tinha visto antes de tudo.

cada pessoa que esbarrou em mim no caminho, ou pulou nas minhas costas ou segurou a minha mão e me levou pra algum lugar, cada uma delas eu amei com a intensidade de quem ama pela primeira vez - aquele amor ingênuo, esperançoso. não me decepcionei por amar, apenas pela forma como eu amei: como se fosse a primeira e a ultima vez, cada olhar, cada palavra, cada beijo pra mim eram sempre os primeiros e últimos - e isso sempre me causou desespero. 'garota, voce beija como se nunca mais fôssemos nos encontrar e como se fosse a primeira vez' ele disse. e era.

vislumbrei meu presente: notei como eu estaria destinada a andar sempre me equilibrando no meio-fio, ora caindo na sarjeta, ora caindo na calçada. mas sempre caindo. me prendendo a qualquer motivo torpe que me fizesse aguentar mais uma semana ou uma noite, que fosse o último gole de um drink, que fosse um projeto gigantesco. e então a vida ia mudando de rumo a cada passo, como em uma caminhada trôpega.

e por fim vislumbrei meu futuro. e ele era agora.

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