terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

desabafos.


as nuvens esconderam a lua cheia. talvez nem a lua quisesse me ver aquele dia, acordei como se tivesse levantado de uma lixeira e quando chegou o fim do dia - ah, o fim - me vi esparramada no chão do quarto outra vez cantando as velhas canções do aerosmith que falavam sempre da mesma coisa: mulheres e casos mal-resolvidos. ah, meu sonho era passar um dia todo cantando isso com alguém, qualquer alguém que não dissesse nada além das palavras prescritas pelas canções.


senti uma daquelas tristezinhas gostosas com sabor de vida bem-vivida, apesar de não passarem de casos estranhos e mal-resolvidos embalados por milhares de notas loucas e na pentatônica. se eu pudesse mudar o mundo como num conto de fadas, eu beberia o amor do seu calice sagrado. descobri que eu estava presa à tristeza, ball and chain. e fiquei feliz, eu estava tão viva, sentindo tudo tão à flor da pele. e eu queria tudo, e de preferência de uma única vez.


senti saudade do que ainda tinha, amei quem ainda estava comigo, gritei com quem já tinha ido embora. e me senti viva demais, ah, viva demais. triste demais. real demais. difícil demais. essa noite eu só queria um sonho - se eu dormisse, claro - em que eu pudesse dizer 'ah cara, mas eu te odeio, seu cretininho infeliiiiiiiiiz.' e ri dessa minha ânsia boba. estava louca pra comprar uma briga, mas ninguém queria me vender.


e continuei cantando, alucinada, lúcida: (deuces are wild, aerosmith)


estava triste de novo. estava viva. e quis pedir desculpas por julgar coerente que todos estivessem acordados às 2 e meia da manhã todos os dias e prontos para o diálogo mais empolgantes de suas vidas, quis pedir desculpas por ligar só pra ouvir a voz de algum amigo querido, quis pedir desculpas por ser tão inconsequente, quis pedir desculpas por não amar ninguém especificamente, quis pedir desculpas por amar todo mundo (como mandar carta em mala direta), quis pedir desculpas por esperar tanta sensibilidade das pessoas, por esperar tanto lirismo, quis pedir desculpas por pedir tantas desculpas.
e fiquei caladinha lá, jogada no chão do quarto como mais uma roupa suja qualquer. morrendo de fome, sem sono. de novo. só que agora eu estava bem por não ter ninguém ou nada que me fizesse cantar que eu o amava por sermos tão parecidos. e ainda estava triste, mas estava bem como nunca.

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