sábado, 7 de fevereiro de 2009

deja vu em preto e branco

de repente tudo caiu sobre mim aquela noite: a fome - que eu nao sentia havia tempos, a dor fisica - que tambem já não sentia há tempos, o êxtase, a liberdade. e mais rápido ainda despencou sobre mim o frio, a solidão, o silêncio, a dor não-física. era o momento em que tudo sempre esfriava, a noite, a vida. e eu parecia nunca estar preparada para as nuvens repentinas, pro sol repentino.
de repente eram 3 e meia da manhã e eu achava que ainda era cedo demais. mas pra mim tudo era cedo demais, concluí ao pensar que só tinha 18 anos, minha máxima nos últimos meses antes dos 19. me joguei na cama, os cabelos emanando o aroma do cigarro (que pela primeira vez não trouxe lembranças dele), meu pé banhado em cerveja (que trouxe lembranças de outro alguém), meu corpo ainda estranhamente quente e zunindo. e não pensei nele. nem no corpo e nem nele.
me vi lá de cima, eu estava fora de mim. percebi minhas formas distorcidas, uns 10 quilos a mais que a faculdade me deu de presente - presentinhjo de grego, convenhamos. olhei meu rosto cansadinho mas feliz, mas no fundo dos olhos um brilho de melancolia. e não hesitei em dizer: ah, mas voce é uma poetinha muito da cretina, que lambe o veneno só pra sentir o gosto, só pra passar mal. você, senhorita f., é uma cretina. e meu sorriso se abriu com o soar dessas palavras. 'sempre quis'.
e tive sonhos estranhos, lembranças que me visitavam constantemente nos últimos dias, senti um frio na barriga quando acordei: se acontecer tudo isso de novo, eu morro. se não acontecer, também. eu estava outra vez entre morrer e morrer.
e esse era meu estilo de vida favorito.

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