domingo, 25 de janeiro de 2009

noiva em fuga

alguém falou de dedos, de mãos. ela sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha - podia ser uma brisa noturna, o álcool que já fazia efeito, a agonia que lhe ocupava, o assuntou ou tudo aquilo junto.


ela estendeu as mãos para si mesma e contemplou os dedos, 10 dedos. ela olhou para o mindinho esquerdo, onde deveria haver seu 11º dedo, herança de seu pai. não tinha.


'olha, o dedo anelar...' foi tudo que ela conseguiu identificar em meio as falas e o barulho que vinha da rua. isso despertou nela o velho desejo, o velho medo que a fazia encolher o dedo anelar.


'esse é o dedo anelar.' e ela o escondeu. 'credo, não queria ter dedos anelares, assim eu não casaria NUNCA!' ela enfatizou o nunca. 'nas duas mãos. todos devíamos ter 4 dedos em cada mão. é...' e ela esboçava um sorriso estranho, um daqueles sorrisos de bêbado que descobriu algo bem óbvio.


'porque voce tem tanto medo de casamento?' ele perguntou. provavelmente se não houvesse ninguem no recinto, ainda assim apareceria a pergunta.


ela hesitou. não sabia, estava alimentando aquilo há alguns anos, talvez porque soubesse que por mais que tentasse, não conseguiria levar relacionamento a lugar algum e assim sempre pensasse em evitá-los a qualquer custo. talvez estivesse evitando sempre a dor do futuro. ela odiava ser vidente.


'é uma mania, velha mania.' ela respondeu depois de um pequeno tempo de reflexão. e ainda pensou 'não importa que eu não tivesse dedos anelares, ninguém iria querer colocar aliança alguma nele...'


'hm...'


'ainda bem que são nos dedos que se colocam os anéis, porque se fossem colares que selassem compromissos, eu imploraria todo dia pra perder a cabeça...'


sobre alguém que deve ser a MULA sem cabeça

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