domingo, 18 de janeiro de 2009

medo do escuro.


"já faz tempo eu vi voce na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida.
N a parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais" (Belchior)

'eu preciso falar.' ele cortou toda a conversa da garota empolgada.

'mas... tá.' como sempre ela não parava nunca.

'meu Deus, cala a boca!' ele falou carinhosamente. 'agora EUvou falar.' ele estava sério, mas nao estava grave como às vezes aparentava quando tinha de falar.

'ok.' e ela juntou os braços ao corpo, arregalou os olhos e sua cabeça movimentou-se num ângulo de 5º para a direita, como acontecia quando ela queria prestar atençao.

'sabe quando voce me disse aquelas coisas? e quando eu ignorei suas desculpas?' ele perguntou. ela abriu a boca em menção a responder. 'não responde, são perguntas retóricas.' ele levantou um dedo pronto para fazê-la se calar. 'não foi por orgulho. voce nao disse nada que eu já não soubesse. eu não voltei por voce.'

'?' ela continuo sob o silencio.

'é. de alguma maneira eu achei que fosse empacar sua vida se voltasse. eu sempre tive a impressao de te fazer mal.' ele suspirou, abaixou a cabeça. 'voce sempre teve amigos tão dedicados, todos eles parecem te amar tanto, com tanta devoção e sinceridade - coisa que eu nunca consegui fazer. achei que se voce tivesse eles voce nem se lembraria de mim e resolvi nao voltar. acho que eu sou seu amuleto de falta de sorte.' ele completou.

'o que?' ela agora quebrou o silencio.

'é. das pessoas com quem eu convivo, voce é a que eu tenho mais medo de magoar. eu odeio te ver chorar, porque voce nunca chora na frente de ninguem. odeio te ver fraquejar, voltar atrás. não é seu comportamento natural: voce é cabeça dura, mauzona. ou tenta ser a maior parte do tempo.' ele terminou. ' a gente tem nossos maus tempos, mas eu não quero ficar longe de voce.'

'voce não me magoa. e eu tô com voce porque quero, porque gosto. voce é meu melhor amigo. nunca vá embora, voce é meu raio de sol, e eu odeio o escuro.'

'o que voce vê em mim?' ele realmente queria saber, ele nao via nada.

'eu vejo voce. e só.' ela sorriu levemente e cerrou os olhos. 'mas o que voce vê em mim? eu fui a unica que voce não expulsou. são 4 anos.' ela ficou seria de repente, como se tivesse vestido uma máscara.

'eu vejo o que os outros vêem, e não são poucos. voce devia saber.' ele sempre sério. mas nunca respondendo a garota.









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