sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

'e eu pulei do penhasco...

mais alto que eu já conheci. sem saber se haveria um rio lá embaixo - e se houvesse uma avenida movimentada? e se fosse um prédio e não um penhasco? mas eu saltei de roupa de banho e tudo. porque o amor deve ser assim: arriscado, ridículo, idiota e doloroso. independentemente de haver rio ou avenida.' eram os dias mais estranhos da vida dela, não os mais negros, talvez os mais solitários, mas não mais negros que os do ano anterior. ela sabia que o fim estava chegando, ela sabia. mas não queria confiar em sim mesma. ela olhou para as ultimas palavras dele, ali, piscando.
'voce sabe o que eu vou fazer, não sabe?' ele perguntou.
'eu sei. e tenho mais certeza do que em qualquer outra vez.' ela respondeu com uma certeza que não lhe atingia há tempos. 'não que eu não me importe com voce, muito pelo contrário. mas eu não posso passar nossas vidas toda tentando te convencer de algo que voce quer com tanta força que se compara a uma tempestade. depois de lutar tanto contra o vento cortante, eu desisti. eu só quero ser levada pela correnteza.'
'é, se eu quero...' ele arguiu. e isso a irritava profundamente.
'só quero que voce saiba que eu sou responsável por cada angustia sua, por cada ato seu, por cada arranhado inflingido a voce desde a primeira vez qeu eu te vi. só quero que voce saiba que qualquer que seja sua decisão,vai afetar quem eu sou profundamente.' ela falava daquele jeito que fazia com que ela parecesse que soubesse a verdade universal. ele gostava disso às vezes, a garota não parecia ser tão genial quando estava calada...
ele ficou em silencio, sabia que era verdade. mas ela só tinha 18 anos e era tão maternal, ele não tinha pedido nada daquilo. 'voce nunca desiste, não é?'
'não está entre as minhas opções, eu acho.' ela abaixou a cabeça. não queria derramar nenhuma lágrima.
'voce é sempre tão forte. tão adulta. desde que tinha 14 anos.' ele lembrou.
'é... ' ela tentou rir. se ela chorasse ele não veria. 'é brega e eu nunca pensei que diria isso mas eu não consigo imaginar o que seria minha vida se eu tivesse ignorado a sua presença naquele dia.'
'eu tambem nao consigo. eu nao sei aonde estaria. voce salvou a minha vida.' ele hesitou. 'muitas vezes.'
e voce me matou... varias vezes. ela pensou. e passaram um tempo mudando de assunto, até a hora de dizer adeus.
ele a abraçou, não tao forte quanto da vez passada. seria muito mais duro deixá-la agora. pela primeira vez ela nao disse nada.
'a gente se ve em breve.' ele murmurou no ouvido dela. ela sentiu um calafrio.
e assim que ele dobrou a esquina, vieram suas velhas companheiras. ela não era tao forte, era apenas uma garota de vidro.

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