quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

inveja

ela era só mais uma garota: mediana, não medíocre. tinha uma ânsia das coisas mais difíceis, das coisas mais bobas, das coisas mais descartáveis.

e ele não era só mais um cara. ele tinha mais problemas do que alguém desejava ter, tinha ãnsias de vômitos em função da medicação pesada.

'sabe, eu queria ser como voce. eu lembro de quando te conheci: uma menina ainda, na escola, com trancinhas e aquele uniforme que fazia todo mundo parecer feio. lembro da sua vontade de trabalhar com desenho - ainda acho que voce etá no curso errado... mas voce sempre se sai bem no que diz que vai fazer. lembro do seu cabelo estranhamente de duas cores que mudavam conforme seu humor. e também lembro do seu violão desafinado e da sua voz feia, haha.' ele listava, se deleitava com essas lembranças futeis.

'besta. se eu era menina, voce era o que? eu sou mais velha que voce' e sorriu, ajeitando o cabelo que cobria metade de sua face. 'e é fato que o uniforme azul enfeiava todo mundo - menos voce, voce sempre foi bonito da escola.' ela olhava pra ele: foi. 'agora eu... azul ou não eu ficava feia do mesmo jeito, eu nunca fui bonita.' ela nem se incomodava mais, a anti-beleza era até sua amiga agora.

'é, pode não ser bonita, mas sabe que eu conheço dezenas de garotas que queriam ser você? levar sua vida, ter o que você tem, saber o que você sabe, estar onde voce está...' ele enumerava

'estar com quem estou?' ela agora apontava ele. 'elas são tolas. ser quem eu sou... hmpf. o preço é alto.' ela agora parecia se queixar.

'é?' ele não entendia.

'nao sei se a inveja mata, mas nesse caso, mataria... ah, se mataria...'

sobre as alegrias e tristezas de ser uma jujuba de sabor diferente.

3 comentários:

  1. na inveja vive-se com o punhal apontado para o próprio peito!

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  2. Saudades do gosto das letras dessa jujuba.

    ;)

    beijos, minha querida.

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