sexta-feira, 7 de novembro de 2008

um limão, meio-limão;

'por acaso a idéia de amor não te perturba? eu não consigo verbalizar isso, mas isso não significa que eu não seja capaz de discriminar comportamentos de amor e muito menos de emiti-los.' ele

'e eu, que sabendo amor não sei amar? e muito menos disitinguir o que é me amar... e nem como amar a outrem.' ela

'mas estamos muito bem.'


'voce sabia que a primeira vez que falei com voce foi porque te achei muito bonita - além de interessante?' ele dizia com um olhar que ela já conhecia muito bem, com uma proximidade que a assustava e uma distãncia que a atraía.


'serio?' ela refletia um pouco sobre isso, era engraçado pra ela. ela sempre fora o cérebro da família. e cérebros não são nada além de peculiares no aspecto aparência.


'sério, porque voce acha que eu insistia tanto pra falar com voce toda hora? mas eu me surpreendi... voce era bonita e também inteligente! e sabia conversar sobre qualquer coisa!'


'é claro, eu não calo a boca...nunca!' ela agora admitia que tinha o dom de falar sobre qualquer coisa, transformar banalidades em casos de emergencia e emergencias em relatórios...


ele a olhou. ela estava calada, esperando alguma coisa, uma oportunidade de ouvir, ..., mas tudo que falava era o silêncio.


'ah, sabe, eu tava olhando ontem uns livros e umas coisas e aí eu ...' ela falava e falava...


'voce sempre muda de assunto assim né? voce odeia o silêncio porque seus pensamentos são altos demais... e eu vou ouvi-los. voce fala demais porque não quer que saibam nada de voce, não é?' ele realmente era um bom psicólogo, ou pelo menos seria um bom. e a olhou profundamente procurando suas entrelinhas e costuras.


ela pareceu sem jeito, ele talvez estivesse muito certo. e ela odiava isso. 'não, é que eu nunca calo a boca mesmo, só isso' ela agora lhe sorria um daqueles sorrisinhos forçados e infantis.


(mais silêncio)


'se voce nao estivesse tao distante... '(e ela estava a milhas da vida naquele momento)'... eu saberia muito bem como fazer voce parar de falar...' ele agora lhe sugeria idéias que a perseguiriam por longos períodos em outra vida. mas ela agora já era outra.


'serio? como?'


(mais e mais silêncio)


e o silêncio reinou por um longo tempo entre eles. pelo menos o de palavras faladas.

2 comentários:

  1. as vezes eu me angustio qdo as conversas parecem dialogos... mas eu gosto dos teus textos, qdo os dialogos parecem conversas

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  2. Tu seria uma boa romancista,
    e eu, uma fiel leitora dos teus livros!

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