sábado, 15 de novembro de 2008

o pianista.

ele tinha longos dedos e a palma de sua mão era macia, tinha mãos feitas para o piano.



de um modo estranho mas familiar, ele era o inverso dela em quase tudo - e não que ela não gostasse disso, pelo contrário, gostava - e muito! mas isso lhe era estranho porque o rapaz não usava roupas pretas ou ouvia bandas de hard rock, e mais estranho porque ela podia conversar com ele por horas a fio sem ouvir um silêncio constrangedor.



e por mais que ela se contivesse em muita coisa, por mais que ela tentasse ser mais delicada, doce e amável, tudo que ela conseguia era esbarrar em algum móvel e esbravejar uma dúzia de palavrões, que com certeza o assustavam - e muito...



'aaaaai, c*&#@*!!! meeerda, puu&*%$#@ que o pariu, c$#&%%!' ela soltava todo seu vocabulário de palavrões de uma vez só sem se dar conta da presença dele.



'calma...' ele se continha, devia achar ela muito escandalosa...



'hmf...' ela respirava fundo. se recompunha, ajeitando os fios de cabelo que desmarcavam a moldura de sua face.



'eu sei de voce.'



'oi?' ela se espantou enquantto ainda se arrumava.



'eu sei de voce. voce tenta parecer durona, falando alto e falando palavrões. mas voce nao passa de uma menininha gentil, meiga, doce e amável. não é?' ele diagnosticava. ela odiava isso.



'hm... não sei disso. eu sou escrota mesmo.' ela agora fazia uma cara que a fazia ficar muito engraçada: os olhinhos com a maquiagem borrada apertados dissimulando maldade e a boca já pequena franzida, fazendo sua boca parecer um asterisco.



'tá bom entao.' ele ria por dentro, ela era muito amável mesmo. 'mas voce semrpe vai ser uma jujubinha pra mim!'



(silencio nao contrangedor)



'ó, mas lembra que a jujuba é doce (mas não é mole não!)' ela agora disfarçava.



'é... deve tar estragada!'



conversas estranhas.

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