sábado, 8 de novembro de 2008

go-ing-dooooooooooown (love in an elevator)



'eu tenho noites longas, sonhos não têm sentido porque ficar acordado é especial apenas pelo fato e eu estar acordada. as luzes são brilhantes como nunca, todas as músicas soam incrivelmente harmônicas e cada simples fato parece ter um significado especial. é como se eu pudesse voar, como se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse momento... qualquer coisa! poderia correr da universidade até minha casa, dançar sozinha por longas e deliciosas horas, levantar qualquer obstáculo e quebrar distâncias.' ela relatava em extase.


'entao voce tá apaixonada?' ele queria saber sem perguntar, talvez não lhe tivesse nenhuma relevancia.


'não... eu falei que me sinto bem... mas...' algo lhe sugeria que ela precisava de psicoterapia. ou pelo menos de uma boa dose de lítio.


'qual o problema? eu queria ter esse entusiasmo!' ele agora invejava sem saber que a inveja mata.


'eu já passei por isso antes, como andar numa montanha russa das emoções. agora eu estou em cima, amanhã eu vou estar embaixo... e vai ser muito ruim. vão vir as náuseas, os frios na barriga, as noites insônes, as escuridões, o tédio, a desconsideração de si. minhas unhas vão quebrar e vão nascer espinhas, todas as minhas roupas parecerão estranhamente esfarrapadas e todos os meus amigos vão parecer estranhamente repulsivos.' ela agora não parecia tão entusiasmada.


'você é bipolar?'


'não sei, voce não é? acho que todo mundo é assim, não? as vezes a vida é boa, outras a vida é ruim... ou pelo menos assim ela lhe parece.' ela agora argumentava a favor da patologia.


'não sei, prefiro mais uma gangorra, que dá pra ficar no meio...!' ele agora não tinha mais tanta inveja da garota...


'eu ainda prefiro a montanha russa... eu acho.'


a vida assim, como um parque de diversões. seu estilo de vida é apenas um brinquedo que voce escolheu. mas saiba que voce pode sair do brinquedo a hora que quiser.

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