terça-feira, 21 de outubro de 2008

é proibido fumar.

"(...)

Toma um fósforo, acende teu cigarro
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja

Se alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija."

Psicologia de um vencido, Augusto dos Anjos


a garota estava lá, no lugar de sempre. mas agora era diferente demais. tanta verdade acompanhada de álcool, tantos relatórios, tantas noites levadas em xícaras de café. as kitnets no comércio da cidade e o bar revisitado aos domingos. ela era diferente.


e apesar de tudo parecer o mesmo, era tudo diferente também, parecia lembrança, parecia morto, mas estava tudo em latência...


cinza: era a manhã de brasília a caminho da universidade, ela usava fones de ouvido e não tinha pressa alguma em chegar a suas obrigações. pelo baldio ela quase tropeçara em pedaços de entulho. ela não entendia porque as pessoas jogavam lixo no chão, brasília era seca, mas isso a atraia, achava a cidade bonita. e começou a olhar prestando mais atenção aonde pisava.


e viu a embalagem branca com detalhes vermelhas. parou. não tropeçara fisicamente, mas por dentro caía em câmera lenta. era um carlton red. dos vinte não havia mais nenhum, ela se sentia assim também: vazia, como se a tivessem usado e jogado fora. mas sabia profundamente que a vítima nunca fora ela.


e no fundo se ressentia, mas resolveu seguir em frente. apesar de se sentir forte, sabia que era um cigarro: ao mesmo tempo que o matava, também desaparecia. ele a fazia queimar. ainda.


sobre o amor, que não é compreensível e nunca será (jamais será).

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