quinta-feira, 4 de setembro de 2008

'nunca fui freud e muito menos sua mãe...


'não posso te mudar e muito menos te amadurecer.' Belinda, Ni Freud ni tu mamá.

eles discutiam agora, com uma frieza e uma intensidade que lembrava uma chuva de verão. ela o queria perto, o queria quieto, o queria homem. mas ele era um menino ainda. e sabia que por mais que ela tentasse ele não amadureceria, e se isso acontecesse ele cairia rápido demais.


'___________, porque? eu entendo, eu estou aqui com voce. e não, eu não vou embora.' ela falava com uma calma que irritava.

'voce não entende. e porque voce quer entender?' ele a agredia sempre.

'é porque eu gosto de voce.' ela agora abaixava o tom de voz mais ainda, parecia discreta, parecia um anti-ela.

'porque?' ele perguntava incisivo, decidido.

'porque eu gosto de voce.' ela não se abatia, ela permanecia firme.

'que droga! porque voce insiste com isso? eu não gosto de voce!' ele agora apunhalava mais fundo.

'nunca pedi pra que voce gostasse de mim, nunca pedi sua atenção. só estou pedindo pra me deixar cuidar de voce. só.' ela era definitivamente decidida, e isso o irritava: ela era como um trem que não pararia por nada.

ele não entendia isso, não entendia como ela se contentava com as migalhas de sua atenção. ele a maltratava dia após dia na esperança de afastá-la, de extingui-la. era mais forte que ele: ele precisava de atenção, precisava dos desenhos, precisava das palavras, precisava da compreensão, precisava dos conselhos, precisava das explicações matemáticas e musicais, precisava de fé. e ela acreditava nele piamente e demosntrava isso.

e ele que nunca amara ninguém não sabia nomear aquilo que a garota de rosto sem mais profundos traços despertava nele. ela não era bonita, mas era engraçada e inteligente. e compreensiva. ele gostava daquilo nela, confiava nela mais que em qualquer outro ser que conhecera. e no cuidado que ela despendia a ele, ele se sentia protegido. e isso o irritava: ela não era bonita.

'voce não é minha mãe.' ele agorava respondia algo que ela sequer tinha perguntado, ele agora recorria a negação.

'e eu nunca disse que era. e muito menos quero ser.' ela agora começava a entender onde ele enevtualmente chegaria. 'tudo bem, vai ser assim:'

'?' ele não entendia.

e ela caminhou sem olhar pra trás e muito menos sem pensar nisso. assim ele queria voltar atrás, queria segurar sua mão outra vez, queria desenhos, queria conselhos, queria explicações, queria intentos de beijos, queria aquilo que ele não sabia nomear ainda e de novo. e se lamentava todos os dias ao passar pelos velhos corredores agora vazios e ao sentar em frente ao lugar em que costumavam brigar. ele a conhecia suficientemente para saber que era orgulhosa demais para voltar e ele sabia que era ignorante na arte de pedir desculpas.

ele sabia que ela o conhecia, que sentia saudades dela, que confiava nela, que precisava dela e que ela nunca precisara dele.

assim pela primeira vez ele soube nomear o que ele sentia por ela:

amor. assim, em letras minúsculas e tímidas mesmo.

porque ele é um poeta e não aprendeu a amar.

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