terça-feira, 2 de setembro de 2008

encontre seu caminho.

'e se não achar meu caminho, basta-me crer procurá-lo de coração.'


Honestino Guimarães.



(era setembro, assim como agora, mas não do jeito que é agora. o clima estava seco, as folhas, secas, os espaços começavam a se preencher e no chão do corredor do Instituto Central de Ciências estavam as palavras que mudariam sua vida para sempre: encontre seu caminho.)

, descobriu entao que romances não eram eternos, que beijos não eram doces, que mãos não eram amor e que finais felizes não existiam: simplesmente não havia fim algum. e nenhum fundamento.

naquela tarde ela vagava e divagava nos grandes gramados em tom de amarelo e não se espantou ao se deparar com um deja-vu, parecia tudo tão semelhante, tão previsível e tão predicado sem sujeito algum. era ali seu primeiro beijo em outras bocas, era ali pessoas que eram ela mas estranhamente e , naturalmente, ela já não se reconhecia mais nos velhos olhos de grandes cílios, lá estavam refletidos outros traços, outras histórias, outra palavra: sim.

não havia arrependimento, ela era difícil mesmo. e como se voltasse meses no tempo, como se fosse a rainha do calendário ainda podia ver as cenas passando-lhe:

'e então... o que voce acha?' ele perguntava insistindo em olhá-la direto nos olhos, ele não tiha mais medo de ser congelado.

'ah... não sei, sei lá. eu sou muito nova, sabe? mas as coisas que devem ser simplesmente são...' e ela respondeu evitando olhá-lo nos olhos, evitando congelá-lo. ela queria ser inocente.

'sei...' e ele desistiu.

ainda que se sentisse vítima, ela atacava sempre. ela nunca deixava que soubessem que ela era vulnerável, que ela era nova demais, fraca. ela nunca deixava que percebessem que ela era apenas uma garota. e assim sua maior fortaleza se tornava uma fraqueza, daquelas mais fatais.

e ele fingia, mas sabia profundamente que naquele livro havia um pouco dela, que naquelas gramas havia um pouco dela, que em pequenas músicas havia um pouco dela, que naquelas luvas havia um pouco dela, que naquele tempo havia um pouco dela. sabia profundamente que nele havia muito dela. tudo que lhe restara fora um não, uma luva e lembranças. lembranças muito doces porque ele sabia que assim como a cerveja era amarga, o álcool entorpecedor, assim ela era doce. e talvez por isso ele insistisse tanto em repetir tudo com uma precisão compulsiva: ele queria invocar o tempo para invocá-la junto. mas ela nunca mais ouviria uma única palavra proferida por aqueles lábios.

e ela sentindo que havia ido em outra direção, ela percebendo que tinha seguido um caminho paralelo e concorrente ao dele começava a entender que se nunca de fato encontrasse seu caminho, bastava-lhe saber que havia procurado de coração, e sabia nesse instante que o caminho era mais valioso que qualquer destino.

'... e eram caminhos paralelos, sempre foram. voce tem de entender que se um dia acreditamos que nossos grandes caminhos se cruzariam foi porque estávamos tão longe de agora que tudo foi apenas uma ilusão de óptica: os caminhos eram e sempre serão paralelos. e sempre serão.'

caminhos paralelos se cruzam no horizonte se voce prestar atenção. mas será apenas ilusão.

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