segunda-feira, 1 de setembro de 2008

(deusa da fertilidade?)

'na Hungria, acredita-se que a semente do girassol cura infertilidade, e sementes colocadas na beira da janela, em uma casa aonde exista uma mulher grávida, o filho será homem.'




não lhe agradavam as rosas porque lhe pareciam perfeitas demais, não lhe agradavam os amores-perfeitos porque não eram tão perfeitos, não lhe agradavam as flores em geral, ela era mais de jujubas mesmo.







e lhe agradavam os girassóis, ela entendia como eles se sentiam: eles eram tão obstinados que beiravam a obsessão, sempre gravitando algo que nunca poderiam alcançar - seriam os girassóis histéricos? talvez, assim como ela.



e era triste. ela tentava fingir que sua vida não era mais que os velhos livros de psicologia, não era mais que as xerox, não era mais que pesquisas experimentais, não era nada além da velha obra que construía seu conhecimento tijolo a tijolo, não era mais. ela fingia de maneira tola, adiando toda e qualquer obrigação imediata, trocando-as por sonos vespertinos e palavras ao vento, por programas triviais de televisão e conversa jogada fora. a bola de neve estava crescendo e agora ela corria o mais rápido que podia para não ser enterrada por ela...



mas mesmo assim ela ainda gostava dos girassóis...

de uma menininha que nunca ganhou flores, muito menos girassóis.

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