segunda-feira, 8 de setembro de 2008

agora ela tem uma arma,


e ela nunca mais será a mesma.


era agosto, havia séculos que eles não se viam: passaram-se amores, ilusões, vidas. e eles se passaram pra trás acima de tudo. apesar do grande esforço era assim que ela tentava exterminá-lo, ela queria vê-lo de longe para ter certeza de que vislumbraria apenas um fantasma.
e lá estava ela, bem-vestida como nunca, arrumada como nunca, os cabelos arrumados descuidadamente, as roupas descontraídas, as milhares de cores que ela carregava em seu sorriso também estavam lá. e do outro lado do ringue estava ele: estranho, não era mais bonito, não era mais agradável olhá-lo, não era mais nada.
e se cruzaram. round 1. mas nada, nenhum golpe atingiu ninguém. cada um seguiu para seu caminho.
e ela o via, e não falava nada... round 2. era a luta dela contra ela mesma, sempre.
round 3. lá estavam eles, no corredor tumultuado, escuro, barulhento que ela tanto conheceu e agora já não mais lhe era familiar. e ele a viu ali, parada em frente a sua sala. e eis que estendeu a mão em sua direção, como se almejasse tocá-la.
ela desviou. olhou nos olhos e dedicou-lhe um levantar de sombrancelhas. ele sorriu sem graça: nunca a vira tão bonita, talvez fosse a meia-luz que a tornasse uma gata parda, talvez fosse o tempo que havia se passado, talvez fossem os ares diferentes... ou talvez fosse a ausência dele que fizera tão bem pra ela. ela realmente está linda, ele certamente pensou.
e conversaram como se nucna tivessem sido íntimos, conversaram como se não se conhecessem (e não se conheciam, pelo menos pessoalmente) e estavam ali, parados um em fretne ao outro, esperando o destino vir.
mas ela se despediu. ela estava indo e ele ficando ali, olhando, se perguntando pra onde ela teria ido, por onde ela teria andado naqueles dias, a quem ela teria dedicado amor senão a ele. e se perguntava ainda mais quem era aquela garota.
'ela foi minha melhor amiga, sabia?' ele retrucou para o amigo.
'hm,... entendo.' o outro parecia entender.
'mas ela foi embora... eu nao entendo porque as pessoas sempre vão embora da minha vida. eu pensei que ela nunca iria.' ele continuava divagando.
'mas ela foi, não foi? e porque foi? ela não te amava?' o outro parecia realmente interessado.
'ela me amava. mas eu não sei... começo a pensar que o problema está em mim' e ele agora fazia algum progresso.
'talvez... qual foi a ultima vez que voce falou com ela?' o outro insistia.
'faz tempo, eu estava namorando a ______... eu já não falava com ela fazia tempo, estava saindo muito e ela longe demais, acho que ela estava estudando. era fim de ano, ela ia embora...' ele explicava contemplando as memórias, aquilo de alguma maneira lhe doía. 'ela sempre me escrevia cartas...'
'e voce respondia?' o outro interrogou-o.
'não, nucna respondi.' ele afirmou.
'por acaso alguma vez voce disse a ela que a amava?' o outro agora entendia bem porque a garota havia ido. mesmo que o amasse.
'não... deveria?' ele perguntavac ingenuamente.
'...' o outro agora entendia demais.
e ao voltar para casa mostrou ao outro a última vez que tivera notícia dela:
'mesmo que faça tempo demais, dedico a voce todas as partes de mim que já morreram e aquelas de que nunca mais tive noticias. como um velho eletrodoméstico abandonado, como uma tevê velha desligada a controle remoto, eu permaneço em standby. mesmo que eu esteja longe demais, ainda estarei ao seu lado. porque é o que se sente, é o que se é. mas espero que voce faça. se ainda assim não fizer, ainda terei meus velhos obituários pra registrar todas minhas mortes, porque em cada separação reside uma morte - e te pergunto 'não haverá mais morte na vida que na própria morte se assim for?' - e se assim for, ainda assim eu amarei.
te vejo na outra vida.'
e ele ao ler começava a entender, as palavras se ligavam: agora estavam nascendo outra vez. mas ela sabia que a morte chegaria, ela sempre chegava. mas dessa vez ela saberia a hora e o local:
ela nunca mais seria uma vítima.
morte e vida amorosa.

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