terça-feira, 26 de agosto de 2008

um dia qualquer

'...é sobre algo que te falei há uma semana.' ele disse sério.



'hm, sobre o que mais especificamente? nós conversamos por horas ininterruptas todo dia.' ela respondeu, talvez só quisesse lembrá-lo que eles estavam próximos demais.



'eu menti.' ele, incisivo.



'?' ela não entendia.



'eu menti pra voce sobre minha vida. não é nada do que eu te disse. eu levo uma vida totalmente diferente.' ele continuou, parecendo estar possuído por um espírito adulto.



'?' ela ainda estava sem entender.



'é, lembre do que eu falei sobre minha família?' ele a interrogou, como se ela fosse a mentirosa.



'hm... ' ela procurou algo no ar, como se não quisesse ver a unica coisa que estava ali além deles dois, a mentira.



(...)



e ela procurou ouvir, e compreendeu perfeitamente. ela era uma artista afinal, uma artista de sons, uma artista de palavras, uma artista de traços, mas nunca tinha visto que era uma atriz.



'olha, eu entendo voce' ela respondeu.



'não, não entende! ninguem nunca entende!' ele continuou negando.



'claro que entendo. eu vou te ajudar, prometo.' ela fez mais uma promessa.



'como? voce nao pode me ajudar, ninguem pode me ajudar!' ele negou ainda mais.



...



e assim ela desistiu dos sons, das palavras e dos traços. assim ela se tornou uma caçadora de tesouros e buscava incessantemente a chave que libertaria todos os homens da escravidão mental.



assim ela se tornou psicóloga.

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