quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sigmund freud, analyze this.

estava tudo acabado - ou seria começado? ela não sabia o que fazer, a cortina estava aberta e o sonho tinha a despertado. não podia ser.

pela primeira vez o som do despertador lhe pareceu familiar. ela olhava para o telefone que piscava ao lado de sua cama anunciando a hora de levantar - acordar era bem mais difícil - pegou o telefone e adiou por cinco minutos o levantar, assim como nos ultimos dias tinha adiado todas as suas obrigações... talvez porque só tivesse elas de companhia.

voltou a dormir na esperança de continuar no sonho. mas ele já tinha ido e deixado com ela uma inquietação tão pesada quanto seu sono... e era por isso que não queria acordar, ela não acreditava até ali que os sonhos poderiam ser a expressão de seus desejos mais recalcados, a expressão de seu inconsciente. ela sequer acreditava em inconsciente, imagine acreditar em sua mais fidedigna representação? não. não. não. ela odiava a possibilidade de admitir algo que ela lutava para não acreditar. odiava.

e ainda via o sonho se aproximar dela e fazê-la ser o que ela escondia: fazia dela apenas uma menina indefesa que precisava de alguém para lhe dar a mão e mostrar o caminho. ela era uma andarilha, queria andar. e só. ela sabia que ninguém conseguiria segui-la, ela era volátil demais, evasiva demais. mas ele sabia como fazê-la ficar, ele era tão nômade quanto ela imaginou não ser. e isso a supreendia. e assustava: 'sera que é assim que alguém se sente ao meu lado?'

e isso a perturbava por longos minutos, era o fim, o fim da sua 'autonomia'. por certo não queria depender de ninguém. e nesse momento ela se martirizava por não ter prestado atenção nas aulas de psicanálise 'droga, se eu tivesse estudado mais saberia o que esse sonho quer dizer...'. ela estava em um de seus delírios matutinos. de novo. então já se imaginava tendo de estudar tudo de novo, longos debates sobre filosofia, psicanálise, freud, lacan... quanta resistência! ela só queria uma transferência positiva, podia ser?

e levantou-se, não queria esperar o fim deitada. não mesmo. e ao se colocar de pé, despertou de seu delírio. lembrou-se da única coisa que ficara das aulas de Personalidade com a professora psicanalista:



'às vezes um charuto é só um charuto...' (Sigmund Freud)

e pela primeira vez ela concordava com ele.

sonhos e delírios matutinos sobre a psique vindo de alguém nada mentalista.

2 comentários:

  1. mto bom teu blog! mas ae... tem mais nada pra fazer, nao??

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  2. vc pergunta?????? hsauishaiushaisua

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